Grand Chess Tour Paris: Nakamura Campeão!

Este foi um final de semana agitado e emocionante para o xadrez mundial. A eterna “cidade luz”, Paris, recebeu, do dia 9 ao dia 12, dez dos melhores jogadores do mundo para quatros dias de muito xadrez – rápido e blitz. Os dois ritmos seriam disputados separadamente, mas o vencedor do Grand Chess Tour Paris se daria pela somatória dos torneios – sendo que, no rápido, teríamos 9 rodadas e no blitz 18, mas com as vitórias no rápido valendo mais pontos.

Os Jogadores

 

Paris Chess Tour enxadristas

Praticamente uma foto promocional d´Os Vingadores – o gigante Homem Formiga salta ao olhos (Kramnik, ali atrás, rivalizando com o Arco do Triunfo)

 

E é claro que em se tratando de blitz e rápido, as atenções logo caíram em cima do Campeão Mundial Magnus Carlsen e do GM norte-americano Hikaru Nakamura.

 

paris chess tour hikaru-nakamura

E você achando que o Capitão América seria o Carlsen, hein?!

 

A rivalidade entre os dois fica muito mais na disputa pelo primeiro lugar do que no embate direto, pois, aí, Nakamura, incrivelmente, leva uma enorme desvantagem. O fato é que ambos disputaram as primeiras colocações, mas Carlsen tem um score tão elástico em cima do rival, que só deixa mais claro o quanto a questão já caiu para o lado psicológico e nem tanto para o enxadrístico de fato (algo que foi levantado pelo próprio Carlsen numa recente entrevista que o Campeão Mundial cedeu, via Facebook, para os fãs. Clique aqui e confira).

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De toda forma, o torneio ainda contou com Kramnik, atual segundo do mundo; Topolav, eterno rival de Kramnik e, ultimamente, está “se acostumando a ficar em último” nos eventos que disputa – palavras do próprio; Caruana, que apesar de ter conquista o Campeonato Norte-Americano, criou-se uma dúvida sobre o seu desempenho no blitz – já que acabou apanhando muito no posterior encontro dos três finalistas do Norte-Americano e a lenda viva Gary Kasparov; Giri, sólida pedra no sapato de Carlsen, mas nos ritmos mais dinâmicos costuma se soltar mais; Aronian, sempre perigoso; Fressinet, segundo do campeão mundial e vem apresentando um xadrez muito convincente; Vachier-Lagrave, excelente jogador no rápido e no blitz e, sem dúvida, um herói francês;  Wesley So, o sempre Wesley So “Safadão”, é perigosíssimo – 99% anjo, mas aquele 1% por cento…

 

O Torneio

Tanto no torneio rápido, quando no blitz, a liderança sempre ficou entre Nakamura e Carlsen. Além deles, o outro jogador que conseguiu manter certa estabilidade nos dois controles de tempos foi Lagrave – que ficou em 4º no rápido e 5º no blitz e, portanto, 3º na classificação geral. Mas quem mostrou estabilidade mesmo foi Topalov. Só que pelo lado negativo: acabou em penúltimo lugar (9º) nas duas modalidades. Bem, pelo menos ele escapou do último lugar. E falando em escapadas, Caruana, de certa forma, conseguiu afastar um pouco essa história de que a diferença de força de seu jogo no “pensado” e no blitz seria enorme, já que acabou ficando em 3º lugar no blitz. Contudo, no rápido, ele ficou em último. Portanto, a dúvida parece que vai continuar mais um tempo em aberto.

Mas, voltando a Nakamura e Carlsen, o norte-americano acabou vencendo o rápido e Carlsen vencendo o blitz.

 

tabela paris rapid

Tabela: Rápido

tabela paris blitz

Tabela: Blitz

 

Entretanto, como falamos no começo do nosso texto, as vitórias do rápido possuíam um valor maior na somatória geral dos pontos, então o troféu de grande campeão do Grand Chess Tour Paris foi para o excelentíssimo senhor Hikaru Nakamura.

 

Paris Chess Tour Nakamura

Nakamura recebendo o cubo cósmico, quer dizer, o troféu.

 

Sejamos justos, vitória merecida de Nakamura. Jogando bem do começo ao fim, Nakamura terminou o rápido invicto e no blitz perdendo apenas três partidas (de 18!): duas contra Carlsen (o psicológico…) e uma contra Vachier-Lagrave. O GM norte-americano apresentou uma tenacidade fantástica para salvar posições inferiores ou para ganhar posições igualadas – e contou com a sorte também quando numa das partidas blitz contra Topalov este corou “peão” (ou seja: avançou o peão até a oitava e o manteve lá). Lance impossível, vitória de Nakamura…

Carlsen demostrou um xadrez espetacular também (por exemplo, vejam a vitória que do Campeão Mundial contra Lagrave, clicando aqui.) Mas, além disso, demostrou que – acreditem! -, ele é humano e comete erros. Não é questão de perder, simplesmente. Mas de errar. E feio. Como na primeira partida do rápido, contra Wesley So, em que o campeão mundial demostrou uma gana enorme de vencer e mesmo numa posição igualada conseguiu complicar e ficar ganho. Com duas damas! Mas… deixou a seta cair (simplesmente se esqueceu do relógio).

A classificação final, e geral, do evento ficou assim:

Paris Chess Tour 4

 

E que venha a próxima etapa do Grand Chess Tour: Bélgica!

 

Fontes:

Site oficial

 

Escrito por Equipe Academia de Xadrez Rafael Leitão 14.06.2016.

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