Verdades e Mentiras Sobre o Torneio de Candidatos

No dia 10 de março começou o Torneio de Candidatos 2018 para definir o desafiante de Magnus Carlsen no Campeonato Mundial. Você conhece a história dessa importante competição para o xadrez? Teste seus conhecimentos no artigo de hoje.

Tente descobrir quais das afirmações abaixo são verdadeiras e quais são mentirosas. Vamos lá?

 

1- O Torneio de Candidatos só foi instituído pela FIDE após a morte de Alexander Alekhine

 

A morte precoce de Alexander Alekhine representou um marco na história do xadrez. Foi a única vez que um campeão mundial faleceu durante seu reinado.

Até então o desafiante ao título era aquele que conseguia reunir as condições financeiras para a realização do match e Alekhine faleceu justamente na época em que se preparava para a disputa contra Mikhail Botvinnik.

Com isso, a FIDE organizou o histórico Campeonato Mundial de 1948, que teve a participação de Mikhail Botvinnik (Ex-URSS), Vasily Smyslov (Ex-URSS), Paul Keres (Ex-URSS), Samuel Reshevsky (EUA) e Max Euwe (HOL).

O torneio foi vencido por Mikhail Botvinnik e a partir de então iniciou-se a era do Torneio de Candidatos, no qual o vencedor ganha o direito de desafiar o campeão mundial.

Portanto, esse fato é verdade!

 

2- O primeiro Torneio de Candidatos aconteceu em Moscou, na Rússia

 

A morte de Alekhine abriu caminho para uma nova era dos Campeonatos Mundiais de Xadrez. Após vencer a disputa organizada em 1948, Mikhail Botvinnik, o patriarca do xadrez soviético, foi desafiado pelo vencedor do primeiro Torneio de Candidatos realizado nos moldes em que conhecemos hoje.

O primeiro Torneio de Candidatos aconteceu em Budapeste, na Hungria, em 1950 e foi disputado por Najdorf, Kotov, Stahlberg, Lilienthal, Keres, Bronstein, Boleslavsky, Smyslov, Szabo e Flohr, no formato todos contra todos em 18 rodadas.

 

Portanto, esse fato é mentira!

3- Paul Keres venceu o primeiro Torneio de Candidatos da história

 

David Bronstein e Isaac Boleslavsky venceram a disputa com 12 pontos. Bronstein tornou-se o desafiante de Mikhail Botvinnik, pois conseguiu vencer Boleslavsky no desempate. Paul Keres foi apenas o quarto colocado, com 9.5 pontos.

 

Bronstein e Keres

 

Assim, no novo sistema da FIDE o primeiro desafiante oficial ao título foi David Bronstein, notabilizado por ser um dos melhores enxadristas de seu tempo e por ter escrito (com o seu treinador) o livro Zurich 53. Em 1948, ao ganhar invicto o Interzonal de Estocolmo, Bronstein habilitou-se para disputar o Torneio de Candidatos de Budapeste de 1950, vencido no desempate contra Isaac Boleslavsky.

Portanto, esse fato é mentira!

 

4- Henrique Mecking foi o único brasileiro na história do Torneio de Candidatos

 

Henrique Mecking foi o único brasileiro a representar o Brasil no Torneio de Candidatos e ele disputou o evento em duas ocasiões, tendo sido eliminado na 1ª rodada de ambos os campeonatos. Em 1974, Mequinho perdeu para Viktor Korchnoi nas quartas de final, por 7.5 x 5.5. E em 1977 Mecking também caiu nas quartas de final. Desta vez, 6.5 x 5.5 para Lev Polugaevsky.

A primeira classificação foi em 1973, na última eliminatória do Campeonato Mundial, com a conquista do Torneio Interzonal de Petrópolis/RJ. A segunda classificação veio no ano de 1976, quando Mequinho venceu o Torneio Interzonal de Manila.

No Torneio de Candidatos de 1974, Mequinho jogou uma das melhores partidas da sua carreira contra Korchnoi, confira aqui!

Korchnoi x Mecking

Portanto, esse fato é verdade!

5. Bobby Fischer venceu o Torneio de Candidatos em 1971 contra Taimanov por 6×0, Larsen por 6×0 e Petrosian por 6,5×2,5.

 

A primeira vez que Fischer participou do Torneio de Candidatos foi em Belgrado, no ano de 1959, e a vaga de desafiante do campeão mundial ficou com Mikhail Tal. A sua segunda participação foi no ano de 1962, em Curaçao, e a vaga ficou com Tigran Petrosian. Na ocasião, Fischer acusou seus adversários soviéticos de combinarem os resultados das partidas que jogaram entre si para que na última rodada um deles estivesse à frente.

 

O famoso episódio nunca foi provado, mas a Federação Internacional de Xadrez mudou o formato do Torneio e a partir de então adotou o sistema mata-mata, evitando resultados suspeitos.

 


No Torneio de Candidatos do ano de 1971, ele teve esse excepcional desempenho e conquistou o direito de desafiar Boris Spassky.

Portanto, isso é verdade!

 

6- Garry Kasparov venceu o ex-campeão mundial Vasily Smyslov na final do Torneio de Candidatos de 1983

 

Na campanha vitoriosa, Kasparov derrotou Alexander Beliavsky por 6×3, na semifinal derrotou Victor Korchnoi por 7×4, para então superar Smyslov por 8.5 x 4.5 na decisão, e assim tornar-se o desafiante do campeão mundial Anatoly Karpov.

Em 1953, Vasily Smyslov ganhou o Torneio de Candidatos de Zurique. No ano seguinte, empatou o match com Botvinnik e não conseguiu ser campeão. Em 1957, Smyslov disputou o título mais uma vez e desta vez tornou-se campeão mundial. Porém, em 1958, Botvinnik x Smyslov disputaram o terceiro match entre ambos pelo Campeonato Mundial. Botvinnik venceu e recuperou o título.

Kasporov x Smyslov

 

Mesmo trinta anos depois de vencer seu primeiro Torneio de Candidatos, Smyslov ainda estava na elite mundial e em 1983 chegou à decisão contra Garry Kasparov.

Portanto, este fato é verdade!

7- Na fantástica última rodada do Torneio de Candidatos de 2013 os dois postulantes ao título perderam suas partidas

 

Depois de muitos anos no sistema eliminatório, em 2013 o Torneio de Candidatos voltou a ser disputado no sistema todos contra todos. Antes da última rodada, Magnus Carlsen e Vladimir Kramnik lideravam a competição com 8.5 pontos. Carlsen, porém, tinha melhor critério de desempate, então o norueguês só dependia das próprias forças para ser o desafiante do então campeão mundial, Anand.

Em 2013, Kramnik e Carlsen lutaram até o fim pelo título

 

Mesmo de brancas, Carlsen sentiu a pressão e foi derrotado por Peter Svidler. Mas Magnus Carlsen conseguiu a vaga mesmo assim, pois Kramnik também perdeu. Com as peças pretas, Kramnik não conseguiu empatar contra Vassily Ivanchuk. Uma última rodada incrível que definiu o futuro do xadrez para os próximos anos.

Esse fato é verdade!

 

8- Anish Giri esteve próximo de vencer o Torneio de Candidatos em 2016

 

O Torneio de Candidatos de 2016, que definiria o desafiante de Magnus Carlsen estava sendo liderado nas últimas rodadas por Sergey Karjakin e por Fabiano Caruana, e não por Anish Giri.

 

Karjakin x Caruana: a partida decisiva do Torneio de Candidatos 2016

 

Na última rodada Caruana precisava da vitória no confronto direto para garantir o título. De pretas, Fabiano Caruana foi pra cima e acabou derrotado por Karjakin. Anish Giri foi o quarto colocado e conseguiu a façanha de empatar todas as 14 partidas.

Portanto, esse fato é mentira!

 

Qual curiosidade mais lhe chamou a atenção? Deixe sua opinião nos comentários.

 

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9 Respostas a “Verdades e Mentiras Sobre o Torneio de Candidatos”

  • Robson Moreira

    Acho que nesse ano o Caruana leva o título. Ele Ta muito bem neste inicio de torneio.

    • Wedelsom

      Mamedyarov. Meu palpite.

  • Edmundo

    Em 1979, no Rio de Janeiro o Suniê foi o representante do Brasil no interzonal. Mequinho não foi o único.

    • Rafael Leitão

      Mequinho foi o único a jogar o Torneio de Candidatos, que naquela época tinha formato de matches. Se falarmos em Interzonais (que eram torneios classificatórios para os Candidatos), então além de Mequinho temos Sunye, Herman Claudius e Milos, se não me esqueço de outro enxadrista.

      • Rogério

        Oi Rafael, Você e o Vescovi, quão perto chegaram da disputa pelo título?

  • Otávio Dieguez

    Imagino como deve ter sido emocionalmente desgastante para o Mequinho a disputa com Polugaevsky e sempre me perguntei se foi determinante para seu posterior adoecimento.
    Após desperdiçar uma oportunidade de vencer a primeira partida, a qual acabou perdendo, só conseguiu empatar as restantes, uma a uma, apesar de seus esforços.

  • Luiz Gustavo Serpa

    Sobre Smyslov, acredito que o fato mais impressionante é ele ter participado do torneio pelo título mundial vago, em 1948, alcançando o segundo lugar, e ainda estar participando do torneio de candidatos em 1987, praticamente 40 anos depois, obtendo um honroso oitavo lugar entre dezesseis participantes com 7,5 em 15 rodadas. Ou seja, dos 27 anos aos 66 ele sempre esteve participando do ciclo de disputas do título mundial. Acredito que nenhum enxadrista conseguirá alcançar esta marca. Acho admirável!

  • Federico

    Aguardo com ansiedade o torneio de candidatos. Mas discordo da forma de definir o vencedor do torneio em caso de empate. Inclusive para a definição no match para o mundial. No formato atual disputa-se um tie-break com partidas rápidas e se persistir o empate com jogos blitz. A copa do mundo de xadrez é definido desta forma em caso de empate. Neste caso eu concordo pois é um campeonato diferente. Contudo, entendo eu, que hoje existem 3 campeonatos mundiais reconhecidos pela FIDE. O mundial "rápido", o mundial "blitz" e o mundial "pensado". Entendo que se a disputa pelo mundial é no xadrez "pensado" a definição não deveria ser no formato do xadrez "rápido" ou "blitz", visto que esses modelos de disputas tem seus próprios campeonatos e regras. Comparo isso com uma final de campeonato de futebol de campo ser definida com partidas de futsal. Um campeão de xadrez "pensado" nem sempre se notabiliza nas modalidade "rápido" ou "blitz". Entendo que abre um precedente de um dos postulantes "cozinhar" a partida tentando resolver a disputa no tie-break. Ou seja, trocar de campeonato por outro em que se sente mais confiante. A FIDE deveria considerar alguma forma de disputa mais coerente para desempatar. Talvez um segundo match.

  • Federico Francisco

    Gostei muito do artigo. Mas discordo do método de definição em caso de empate. Atualmente se houver empate entre os dois primeiros colocados se disputa um tie-break de partidas “rápidas” e se persistir o empate, com partidas “blitz”. Este mesmo método define o campeão no match pelo título mundial. Entendo eu, isto não ser coerente. Explico: Hoje há três campeonatos reconhecidos pela FIDE. O Xadrez “blitz”, o xadrez “rápido” e o xadrez “pensado”. Penso que se está em disputa o campeão do xadrez ”pensado” não se deveria definir por meio das outras modalidades do jogo de xadrez, que tem seus próprios campeonatos e regras. Comparo isso com definir o campeão de futebol de campo com partidas de futsal. Nada a ver! Esse método pode abrir um precedente de um postulante “cozinhar” o jogo para levar a decisão no tie-break e assim definir num sistema em que se sente mais seguro. Em minha opinião a FIDE deveria rever o método de desempate. Talvez um outro match. Gostaria de saber a opinião dos colegas.

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