As 3 Posições Teóricas Mais Importantes de Finais de Torres

As 3 Posições Teóricas Mais Importantes de Finais de Torres

Os 3 Finais De Torres Mais Importantes

Finais de torres são os mais comuns na prática enxadrística. E também são os mais difíceis. A teoria é muito extensa e você inclusive precisa conhecer algumas posições de memória.

Mas por onde começar? Neste artigo vou mostrar 3 doa posições teóricas mais importantes nos finais de torres. Claro que muitas ainda faltarão, mas precisamos ao menos começar!

 

1- Posição de Lucena

Luis Ramírez de Lucena (1465-1530) foi um enxadrista espanhol que escreveu o primeiro livro de xadrez que se tem notícia: “Repetición de Amores y Arte de Ajedrez con 101 Juegos de Partido”, escrito em 1497 (!).

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Entretanto, existe uma polêmica se essa posição realmente foi estudada por Lucena, já que ela não consta no livro.

Polêmicas à parte, vamos olhar a posição:

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    Posição de Lucena

 

A posição essencial para começar a entender finais de torres. As brancas estão próximas da vitória, mas como preparar a coroação evitando os irritantes xeques da torre preta?

O conceito mais importante aqui é o de “ponte”. A torre branca vai preparar uma ponte para o que rei escape dos xeques. Entendendo essa ideia, o plano de vitória acaba se tornando simples. Vejamos:

Vale lembrar que o procedimento da posição de Lucena é válido para qualquer posição com estas mesmas características: peão na sétima, rei do lado com vantagem na frente do peão, a torre cortando o rei adversário.

Se as brancas tentam simplesmente tirar o rei com 1.Td1+ Re7 2.Rc7, então as pretas começam a dar xeques: 2…Tc2+ 3.Rb6 Tb2+ e as brancas não conseguem “fugir” com o rei (ele precisaria voltar para a casa b8). O que fazer então?

Precisamos criar uma “ponte” com a torre, de forma que ela cubra os xeques e proteja o rei.

 

1.Td1+ Re7 2.Td4!

Esse é o lance fundamental da manobra de Lucena (ou do verdadeiro “descobridor”).

2…Ta1 3.Rc7 Tc1+ 4.Rb6 Tb1+ 5.Rc6 Tc1+ 6.Rb5 Tb1+ 7.Tb4!

Ponte! Agora as pretas não conseguem evitar a coroação.

 

2- Posição de Phillidor

François-André Danican Philidor (1726-1795) foi um compositor francês e o melhor jogador de xadrez do seu tempo.

Em 1777 ele publicou suas análises de uma das posições mais importantes para a defesa nos finais de torres.

 

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  Posição de Philidor

 

Sua importância é equivalente à posição de Lucena. A técnica para defender essa posição é fundamental e, mais uma vez, envolve a utilização da torre para xeques.

As brancas precisam colocar a torre na terceira fila, evitando o avanço do rei das pretas. O único plano para as pretas será o avanço do peão, o que acaba deixando o rei indefeso contra os xeques. A torre, então, é colocada em posição mais ativa e a posição empata facilmente.

Na posição de Philidor a técnica de defesa é a mesma ainda que seja peão central, de bispo, de cavalo etc.

É preciso evitar a penetração do rei adversário.

 

1.Ta3!

Sem a penetração do rei, a única forma de tentar vencer é avançando o peão. Mas após 1…e3 as brancas jogam

2.Ta8! preparando para dar xeques com a torre.

2…Rf3 3.Tf8+ Re4 4.Te8+ e o rei não encontra refúgio. O empate é claro.

 

3- Defesa Passiva

Quando a defesa passiva funciona nos finais teóricos de torre e peão x torre? É fundamental você entender que só é possível empatar se o peão for de cavalo ou de torre, pois nesse caso o lado com vantagem material não tem espaço suficiente para melhorar.

Aliás, o conceito de “atividade” é um dos mais importantes nos finais de torres. Geralmente a defesa passiva leva à derrota. Mas, como veremos, toda regra tem exceção.

Primeiro vamos examinar um caso em que a defesa passiva não é suficiente:

 

Passiva1.jpg

 

Neste exemplo as brancas têm espaço suficiente para executar a manobra ganhadora.

1.Tf7+ (1.Th7 imediatamente também ganha) Rg8 ( 1…Re8 2.Th7!) 2.Tg7+ Rh8 (2…Rf8 3.e7+ ganhando) 3.Tg1 (3.e7 também vence, mas não queremos deixar o rei das pretas em uma posição de afogado sem necessidade. É sempre importante ser cauteloso quando estamos totalmente ganhos). Com o rei cortado as pretas estão sem esperanças.

Entretanto, quase toda regra tem exceção. Se o peão passado for da coluna do cavalo ou da torre, então o lado com vantagem não tem espaço suficiente para fazer a manobra vencedora. Vamos examinar essa mesma posição com as peças um pouco mais à direita.

 

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Nesse caso a defesa passiva é suficiente, já que as brancas não conseguem executar a manobra vencedora.

1.Tg7+ Rh8 2.Th7+ Rg8 e simplesmente as brancas não têm qualquer tentativa para vencer. O mesmo acontece em casos de finais com peões de torre.

 

Estudar a teoria de finais de torres é fundamental para melhorar seus resultados em torneios de xadrez.

 

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Escrito por GM Rafael Leitão em 24.10.17

 

Fonte: Wikipedia

Imagens: Wikipedia / Gerogia Chess News

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