Biel Chess Festival: Entre Outros e o Nosso Romântico

Quem leu as duas últimas notícias aqui da Academia (ou para quem ainda não leu clique aqui e aqui), sabe que, até agora, o tradicional torneio de Tops em Biel, na Suíça, possui duas figuras exemplares que, cada uma ao seu modo, marcam o Festival: David Navara e Richard Rapport. O primeiro mais idealizado e idealizador; o segundo mais bad boy e suicida. O primeiro lutando pelo título; o segundo para escapar da lanterna.

Eles se enfrentaram hoje e, mais uma vez, o exótico estilo de Rapport falou mais alto. Contudo, negativamente. De brancas, com uma abertura nada exótica, mas escolhas estranhas e um plano no mínimo fraco, Rapport se isolou um pouco mais na lanterna – e Navara, ao contrário, alcançou o líder Wojtaszek (que empatou com Eljanov).

Sem muitas notas românticas, o destaque da rodada foi a vitória de Vachier-Lagrave em cima de Sir Michael Adams – falou mais alto a força do par de bispo do GM francês no final.

 

 

Mas já que tocamos nesses assuntos, e parodiando o poeta, em se tratando de xadrez e romantismo, o “nosso” dá de dez noutros quaisquer: Alexandr (NO) Fier também está em Biel, disputando o torneio de mestres que acontece paralelamente ao dos “super” GMs – super mesmo é o Fier: que mora na Geórgia sem falar o idioma local e tem que, literalmente, enfrentar um leão por dia para sobreviver (quer entender do que estamos falando? clique aqui e adquira aqui uma das mais divertidas palestras da Academia com os GM’s Alexandr Fier e Rafael Leitão!).

Fier, após oito rodadas, está com 5,5 pontos e joga, na última rodada, na mesa 4, contra o GM Kamil Dragun (também com 5,5 pontos). Quatro jogadores lideram com 6 pontos: Dragan Solak; Daniel Fridman; Emil Sutovsky e Baskara Adhiban (para você que achava que nunca mais iria usar, ou ouvir falar de, BASKARA na vida – isso, aquela fórmula bonitinha do ensino fundamental –, pense de novo: liderando o torneio!).

Voltando ao nosso romântico, Fier: um romântico clássico e no sentido mais literal do termo. Destemido, mas não suicida – valente e ousado, para frente, “pero sin perder la ternura jamás”. É um forte.

Para termos uma ideia, na segunda rodada, tivemos uma amostre gratis: Fier utilizou seu sistema predileto contra a Nimzo-Índia para vencer o grande mestre israelense Dan Zoler – que em um momento deixou passar uma bonita variante para forçar o empate. (Você jogaria melhor do que o GM israelense? Clique aqui, para ver a partida analisada e descubra!).

Na torcida pelo NOSSO ÚLTIMO ROMÂNTICO. Go(l), (No)Fier!

 

Fontes: Biel

 

Escrito por Equipe Academia de Xadrez Rafael Leitão em 28.07.2015.

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