Grandes Rivalidades: Capablanca x Alekhine

Não é só na ficção que existem inimigos mortais se enfrentando em batalhas mirabolantes e cheias de reviravoltas: no mundo do xadrez, esse tipo de rivalidade também existe, e uma das maiores é a Capablanca x Alekhine. No post de hoje, você vai conhecer a história digna de roteiro de cinema  do confronto entre esses dois grandes enxadristas! Confira:

 

Quem são esses dois enxadristas

José Raúl Capablanca foi um enxadrista cubano que foi Campeão Mundial de Xadrez de 1921 a 1927. Só para ter uma ideia da habilidade de Capablanca, sabia que ele derrotou o campeão nacional cubano aos 9 anos de idade? E para conquistar o título mundial, ele teve que vencer ninguém menos que Emanuel Lasker, o alemão que, além de enxadrista, era também matemático, filósofo e até hoje é considerado por muitos como um dos jogadores mais fortes da história? Nada mal, não é?

A história de Alexander Aleksandrovich Alekhine não é menos interessante. Nascido em Moscou e iniciado no universo do xadrez em campeonatos por correspondência, Alekhine já era considerado um dos melhores enxadristas da Rússia na idade de 16 anos. Em 1914, estava em uma partida na Alemanha no momento em que foi declarada a Primeira Guerra Mundial, passando dois meses preso no país antes de ser mandado de volta para casa. Alekhine chegou até mesmo a ser preso pelos bolcheviques em 1918, mas voltou à cena em pouco meses e, em 1927, derrotou Capablanca em um confronto famoso até os dias de hoje. Vejamos o motivo!

 

A preparação para o encontro

Depois que Alekhine venceu o Campeonato Internacional de Haia, na Holanda, em 1921, foi proposta uma disputa de Candidatos (torneio em que o vencedor ganha o direito de desafiar o campeão mundial) entre o russo e Akiba Rubinstein, enxadrista polonês que é até hoje admirado por seu jogo nos finais.

Por motivos diversos, a disputa acabou nunca acontecendo e ambos decidiram desafiar Capablanca. O problema é que o cubano havia estabelecido, em um torneio em 1922, em Londres, – no qual, diga-se de passagem, Capablanca terminou em 1º lugar e Alekhine em 2º -, que não defenderia o título por um valor menor que  10 mil dólares americanos.

Resultado: Rubinstein e outros candidatos não conseguiram juntar a quantia requerida e Alekhine só conseguiu os 10 mil dólares em 1927, graças ao patrocínio da Federação Argentina de Xadrez, que queria ver o campeão mundial vencer uma disputa em solo latino.

 

A épica batalha Capablanca x Alekhine

Iniciada em 9 de setembro de 1927 em Buenos Aires, a disputa Capablanca x Alekhine seguiu as regras estabelecidas pelo campeão mundial em Londres, nas quais, além do requerimento dos 10 mil dólares, Capablanca estipulou que a disputa seria ganha pelo primeiro enxadrista a conquistar 6 vitórias não consecutivas.

Como Alekhine nunca havia vencido Capablanca em uma partida sequer, pouquíssimas pessoas acreditavam na derrota do mestre cubano. Antes do grande dia, jogadores como Rudolf Spielmann, Efim Bogoljubow, Geza Maroczy e Aron Nimzowitsch expressaram sua certeza de que Capablanca sairia vitorioso. Apenas Emanuel Lasker, Richard Reti e Savielly Tartakower consideravam que havia alguma possibilidade de que Alekhine ganhasse.

 

Com tanta gente duvidando de sua derrota e um histórico que não dava o menor indício de que Alekhine poderia ganhar, Capablanca não se preparou para a disputa com o russo. Pelo contrário, o cubano chegou a participar de uma cansativa sessão de partidas simultâneas no Brasil um pouco antes do match.

Como você já deve estar imaginando, esse excesso de autoconfiança foi o que acabou com Capablanca. Na disputa com Alekhine, o então campeão mundial não conseguiu jogar o seu melhor xadrez e, na última das 34 partidas disputadas, abandonou sem comparecer ao adiamento, renunciando ao título por meio de uma carta. Dramático, não concorda?

 

A revanche que nunca aconteceu

Depois disso, a Segunda Guerra Mundial estourou e, apesar das tentativas de se organizar uma revanche, ela acabou nunca ocorrendo.

Segundo Savielly Tartakower, a ideia nunca sairia do papel, pois os dois enxadristas não queriam voltar a se enfrentar — Capablanca porque sabia que poderia ser derrotado de novo e Alekhine porque sabia que só Capablanca poderia derrotá-lo. E não deu outra: mesmo perdendo o título em 1935 para o holandês Max Euwe, Alekhine reconquistou a coroa em 1937 e a manteve até a sua morte, em 1946.

 

Gostou de conhecer mais sobre a batalha Capablanca x Alekhine? Que outras grandes rivalidades do xadrez você conhece? Aproveite para ler também nosso artigo sobre a disputa Garry Kasparov x Deep Blue e continue ligado no nosso blog!

 

 

13 Respostas a “Grandes Rivalidades: Capablanca x Alekhine”

  • Roberto Luiz Spenthof

    Tudo isso mostra que Capablanca foi muito maior que Alekhine. Exceto neste match, que nem deveria ter existido, Alekhine nunca venceu Capablanca no tabuleiro. Capablanca era um gentleman enquanto Alekhine era arrogante e prepotente, odiado no meio enxadrístico. Alekhine jamais deu a chance de revanche a Capablanca, e nem sequer jogava os mesmos torneios que Capa, para evitar confrontos que pudessem deslegitimar seu título. Alekhine escolhia seus desafiantes, somente aqueles que tinha certeza de que ganharia. E mesmo assim perdeu para Euwe e só empatou com Bogoljubow. Eu tenho certeza, que Capablanca continuou sendo o melhor jogador do mundo até 1948.

    • Davidson

      Concordo em gênero, número e grau

    • CEMC

      Alekhine venceu com ampla vantagem os dois matches contra Bogoljubow, como assim empatou?

      11-5 (e +9 empates)pro Alekhine me 1929 http://www.chessgames.com/perl/chess.pl?tid=54141
      8-3 (e + 15 empates) pro Alekhine em 1934 http://www.chessgames.com/perl/chess.pl?tid=54142

      19-8 pro Alekhine no total dos 2 matches, não entendi onde o Alekhine empatou. Ah..houveram 21 empates, mas é xadrez nível top, dificilmente sairia 10-0 e nenhum empate! e mesmo assim foram 21 empates, as vitórias do Alekhine encostando no número de empates, o que é raro num match pelo mundial. Bom, Bogoljubow poderia não estar à altura do Capablanca, isso não discordo jamais, mas era jogador de elite, tinha belos resultados sim nos torneios que jogou.

      "Nunca venceu o Capablanca no tabuleiro" -- os 6-3 no match pelo mundial então foi o que? E ah, anos depois voltaram a se enfrentar nos tabuleiros. Não lembro de todos os resultados, só pesquisar.

    • Emerson

      Fica clara sua repulsa por Alekhine. Porém, quando comentar algo, pelo menos se dê ao trabalho de colher fatos. Sua "opinião" se assemelha ao comportamento de um torcedor de futebol fanático.

  • Leandro

    Perfeito artigo, corrijam algumas adequações de linguagem, uma delas o empate com Bogoljubov que não tá bem claro (redator fã do Capablanca, até que ficou legal a parte). :)
    Excesso de confiança pros dois lados. Acho que Alekhine andou tomando todos os whiskys e comemorando antes ....
    Interessante falar se o match foi mesmo a portas fechadas (nem sei se o juiz entrava pra olhar o jogo)

    Bom demais relembrar esse match, vontade de voltar a reproduzir as partidas
    :D

  • Jeferson Albuquerque

    Capablanca pagou caro por ter subestimado Alekhine e Alekhine pagou caro por ter subestimado Euwe (um campeão mundial sem expressão!!) Mas pelo menos Alekhine teve a oportunidade de se redimir (fez o dever de casa) e no match revanche esmagou Max Euwe como um rolo compressor. Eu acredito que Alexander Alekhine foi o campeão mundial mais mal interpretado dá história do xadrez por gente que julga baseadas​ equivocadamente em informações superficiais (me refiro aqui diretamente aos artigos anti semitas publicados em seu nome), pois apesar de sua família ter uma condição boa os problemas com álcool por parte dos pais de Alekhine já eram recorrentes sem contar que ele passou​ pelas duas grandes guerras mundiais sendo preso em ambas e mesmo com tudo isso (muitos críticos de plantão já teriam desistido por muito menos) ele conseguiu se manter como campeão mundial até a sua morte, pra min a maior proeza de Alexander foi derrotar "A máquina de xadrez" senhor José Raul Capablanca no auge da sua força eu acredito piamente que o grande Capa foi o maior talento natural de xadrez de todos os tempos mas Alekhine contra tudo e contra todos provou que:Hard work Beats talent when talent does'nt work hard. Em seu livro 'meus grandes predecessores' Garry Kasparov (talvez o melhor jogador de xadrez de todos os tempos) elege uma partida de Alekhine como a mais bem jogada dá história do xadrez!! Capablanca era financiado por seu país de origem era boêmio e mulherengo e em seu match pelo campeonato Mundial jogou contra um adversário velho e desaclimatado muito longe de seu melhor xadrez!! Os dois são de grande importância para o xadrez são indiscutivelmente gênios (cada um ao seu modo) e merecem todo o meu respeito e admiração mas pela história de vida de Alekhine e seu poder de superação acredito que dentre os dois (mesmo com todos os defeitos de ambos) Alekhine foi maior que Capablanca.

    • Alekhine

      Aplausos para si, gostei sinceramente. Também concordo o Alekhine foi e continua sendo maior que o Capablanca!

  • Joao almeida

    Interessante sua colocação... realmente quando Capa venceu Emmanuel, Lasker praticamente só jogou por jogar, pois nota-se claramente que ele só estava passando o bastão rsrsrsrs Mesmo Capa no seu auge, se jogasse contra Lasker no seu auge, acredito que perderia para o alemão... afinal o próprio Kasparov afirmou que só temeria enfrentar um jogador do passado: Emmanuel Lasker!

  • Alekhine

    Um facto que muitos desconhecem, o Grande Capablanca (Tenho muito respeito por ele), colocou uma série de exigências absurdas e o Supremo Alekhine apenas retribuiu colocando as mesmas exigências. Agora os que dizem que o Alekhine não derrotou o Capa num tabuleiro, isso é muito Hilário, a primeira partida deputada entre os dois pelo título de campeão mundial quem venceu(Defesa francesa que o Capa usou) foi o Alekhine, e uma série de empates. O que devemos fazer é escolher um ou os dois e ser seu ídolo no Xadrez.. Eu escolho o Alekhine como costumo dizer ele é um jopgador romântico(Deixemos a arrogância dele do lado e olhemos para o perfume que espalhava no tabuleiro e chorem de alegria)!!

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