Carlsen x Karjakin – 9ª Partida

 

Depois da apocalíptica oitava partida, o match do Campeonato Mundial vai tomando contornos dramáticos – para o total deleite de nós mortais, claro, e desespero do norueguês Magnus Carlsen. Como romper a frieza glacial do russo Serge Karjakin? Talvez só pedindo ajuda aos céus, aos anjos… a Arcángel (ou Archangelsky)…

A piada é ruim, mas foi praticamente isso que Carlsen fez. Karjakin seguiu com seu tradicional 1.e4 e Magnus com seu fiel 1… e5. E apesar de entrarmos em mais uma Ruy Lopez, desta vez, utilizando a esteticamente bonita, mas efetivamente pouco jogada, já citada variante Arcángel (5… b5 e 6… Bc5).

De maneira geral foi a primeira vez no match que os jogadores debateram uma teoria mais “pesada”. O sacrifício do peão de b5 de Carlsen, chegando ao plano de 15… Bxf3, 16… Ch5 e 17… Df6 fazem parte das possibilidades temáticas/teóricas da posição. Carlsen jogou muito rápido e coube a Karjakin lembrar-se dos melhores lances. Mas ele lembrou. Em especial a resposta 19. e5 e a sequência posterior. Indo direto ao ponto: no lance 23 a escolha de abertura de Carlsen o levou a um diagrama com peão e par de bispos a menos. A fraqueza das brancas na ala do rei, e da estrutura dos seus peões, não parece, nem de longe, suficiente para lutar pela vantagem. Escolha de abertura completamente questionável de Carlsen… E, pela situação do match, e pelo que havia acontecido até então, é muito irracional “descartar” uma partida de negras (Carlsen conseguiu boas posição de negras e mesmo a vitória de Karjakin não foi de brancas)

 

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“Escolha ruim da abertura? Ah, só um pouquinho…”

 

O que vimos depois foi uma posição difícil para Carlsen, defendendo-se, e um jogo extremamente preciso de Karjakin (Por exemplo, 24.Tg1, 25.Tg4 e 26.Th4). Com Karjakin conseguindo levar a torre que estava na ala da dama para a coluna g, vários temas táticos e possibilidades de ataque surgiram para as brancas. Mais uma vez: a complicada posição só favorecia as brancas. Tanto é que Karjakin até poderia entrar em algumas linhas de empate, mas preferiu, confiantemente, seguir jogando – se lembrarmos do Torneio dos Candidatos vencido por ele, uma das suas qualidades foi seguir fiel ao seu estilo e, sobretudo, fiel aos espíritos das posições (e não aos resultados que lhe favoreciam. A vitória, na última rodada, contra seu concorrente direto, Caruana, é uma amostra disso).

Depois de muita pressão de Karjakin, e muitas sutilezas táticas, o final resultante de Dama e Bispo, com um peão a mais para as brancas, é empate. É claro que, psicologicamente, ou por mera formalidade, Karjakin ainda torturou Magnus mais um pouco. De toda forma: empate decretado.

O match segue cada vez mais tenso, embora com a confiança, e a torcida, de Carlsen abalada.

Cenas do próximo capítulo…

 

FONTE

Site Oficial

Chess24

Chess Base

 

Escrito por Equipe Academia de Xadrez Rafael Leitão 24-11-2016

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