É o Fim dos Clubes Físicos de Xadrez?

Seja na tela de um computador, de um tablet ou até mesmo de um celular, hoje em dia é possível enfrentar jogadores do mundo inteiro em partidas virtuais de xadrez. Entretanto, o xadrez presencial tem suas próprias características, como a possibilidade de observar as expressões corporais e reações físicas de um jogador ao longo de uma partida, além de promover um ambiente social que facilita o aprendizado.

Assim, por mais que o xadrez online traga seus benefícios, será que ele irá mesmo eliminar os clubes físicos? Descubra no post de hoje!

 

Xadrez online

O xadrez online tem as mesmas regras que o xadrez comum, variando apenas o formato de um site para outro.

Existem duas formas distintas de se jogar uma partida de xadrez online: xadrez tradicional e xadrez postal online. A primeira opção é mais simples e trata-se da conexão entre 2 jogadores por meio de um servidor online. Os jogos dessa modalidade costumam ser rápidos, com o tempo de 3 minutos por jogador sendo o predileto da maioria dos enxadristas. O lado bom dessa modalidade é que você pode facilmente encontrar um adversário, o que lhe permite testar diversas estratégias no jogo.

Entretanto, o principal ponto negativo, além da falta de interação com o adversário, algo muito importante no esporte, é o risco de o jogador criar pequenos vícios. Por se tratarem de partidas com limite baixo de tempo para movimentos, um jogador de xadrez online pode habituar-se a pensar pouco na realização de jogadas, algo que certamente é fatal em um jogo mais estratégico e profissional.

Outra forma de jogo online é por meio de servidores que simulam o clássico xadrez postal, em que se tem dias para realizar uma jogada e cada movimento é extremamente estudado, utilizando-se inclusive a ajuda de computadores para a análise.

 

A importância dos clubes de xadrez

Ambas as modalidades de xadrez online se distanciam muito do que verdadeiramente seria uma partida oficial de xadrez. O jogo online tem sua importância no aprendizado e desenvolvimento de um bom nível de jogo, mas não oferece a mesma experiência de uma partida real. Quem está acostumado apenas com o xadrez virtual e visita um clube físico de xadrez pela primeira vez tem uma sensação diferente. Sentir as peças com seus próprios dedos, observar a reação do adversário a cada jogada, comentar a partida ao final — tudo que o xadrez online não pode oferecer.

Além de movimentar o esporte e alimentar a criação de campeonatos locais, o convívio em um clube de xadrez propicia um ambiente de intenso aprendizado, troca de experiências e criação de vínculos entre jogadores, o que ainda é — e sempre será — a melhor e mais eficiente forma existente de se aprender inúmeras estratégias, ideias e conceitos diferentes sobre o xadrez. Prova disso é que o maior jogador da história do nosso país — e ex 3º melhor do mundo —, Henrique Mecking, cresceu e desenvolveu seu jogo em um clube físico de xadrez. O grande mestre Gilberto Milos, que desenvolveu seu jogo frequentando o histórico Clube de Xadrez São Paulo, é outra prova disso.

Assim, por mais que o xadrez online tenha ganhado muita importância nos dias de hoje pelos seus pontos positivos, dizer que ele representa o fim dos clubes físicos de xadrez é um exagero — que, além de tudo, ignora a história do jogo e de alguns de seus maiores jogadores.

E você, frequenta algum clube de xadrez na sua cidade? Deixe seu comentário contando como é esta experiência e como isto mudou sua relação com o esporte!

 

 

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18 Respostas a “É o Fim dos Clubes Físicos de Xadrez?”

  • Nicole Pi Chillida

    Olá achei bem interessante este assunto! Bom, eu recentemente conheci o CXSP, e mudou bastante a minha caracteristica de jogar online, acredito que contribuiu para minha evolução no xadrez,na minha opinião o clube faz um papel be social de troca de experiências e isso é bem importante.

    • Rafael Leitão

      Obrigado pelo comentário! Também acredito na importância dos clubes físicos para o desenvolvimento de um enxadrista.

  • David Borensztajn (MN)

    Muito bom o seu comentário e parabéns pelo novo site. Acho que os clubes físicos estão morrendo, com algumas exceções. Custo de sala, de material, de alguém para "tomar conta", distância de casa com engarrafamentos, violência na rua (falo do Brasil neste caso) faz com que muitos fiquem em casa mesmo, apesar de que o vício em blitz venha atrapalhar a performance nos torneios.Outro problema com a virtualidade é o chamado pre-move que inexiste na regra, mas que é possível nos sites.

  • David Borensztajn (MN)

    A respeito, ainda, do assunto, relato algo curioso que se passou comigo quando voltei a jogar OTB (over the board, ou seja, ao vivo). Havia parado de jogar torneios de estudar e de ir a clubes por longos 8 anos, limitando-me a jogar blitz pela Internet. Resolvendo voltar fui disputar um torneio de rápidas e quando sentei para jogar estranhei as peças!!
    Claro, pois estava acostumado às dimensões do computador...

  • José Cedro Menezes Marques

    Olá, Rafael,

    Sim, os clubes físicos ainda são importantes.

    Sou sócio do Clube de Xadrez Borba Gato, em Santo Amaro, São Paulo.

    www.galeriadexadrez.com.br

    Aprendo muito lá.

    Abração!

  • José Fernandes Silva

    Eu costumo frequentar o clube de xadrez da minha cidade, mas como ele só é aberto nas quintas e terças feiras eu costumo jogar muitas partidas pelo computador e como eu não possuo um em casa, tenho ir ao telecentro, que fica do lado do nosso clube.

  • William Maia

    boa tarde mestre Rafael, respondendo sua pergunta, de forma alguma, os clubes presenciais são de importância vital para o xadrez, e para mantermos as relações de companheirismo e amizade com os outros amantes do xadrez. Além que o xadrez presencial é completamente diferente do xadrez virtual, principalmente no aspecto psicológico e competitivo. O xadrez virtual é uma alternativa para divulgar mais o xadrez, treinar, estudar, usar para preparação, lazer, etc. Mas nunca vai substituir o xadrez presencial, é insubstituível ver as expressões dos jogadores durante as partidas, suas emoções e acontecimentos que só a presença nos dá. Nisso acho que podemos ficar tranquilos, nada como a emoção de jogar um torneio presencial, isso a internet não chega nem perto!

  • Rosival Nascimento

    Ola Rafael. Achei o tema super interessante pra discussão.Frequento, ñ com tanta regularidade, o clube ak da minha cidade ( clube Conquistense de xadrez CCX) e sou da opinião k xadrez ao vivo com pessoas e em um ambiente como um clube é de muita relevância pro desenvolvimento enquanto jogador e ser humano, ainda k adore jogar online ou contra programas uma partida presencial é outra coisa. ñ acredito k o ambiente virtual vá superar ou fazer extinguir clubes claro k cria + alternativas pra encontrar adversários. Porém havera a necessidade de se praticar com pessoas presencialmente e de entrar em contato com as peças como uma especie de ensaio pra partidas de torneios k exigirão outras habilidades de leitura como foi bem exposto no artigo... entendo o ambiente virtual como um complemento fantástico e cheio de possibilidades + sem jamais deixar de ter o cotato e o ajuntamento de pessoas em torno de um clube ou outro lugar como uma praça por exemplo... jogamos todos os sabados e domingos ak numa praça da cidade e é muito legal.. ar livre... pessoas passando e nos vendo ali... acho massa... saudações mestre ... parabéns por tudo k tem feito pelo xadrez em nosso país... sucesso!!!

  • Ubiracy Junior

    Não visualizo o fim dos clubes físicos, porém creio que será cada vez mais comum uma abordagem mista, principalmente nas grandes cidades onde sair de casa está cada vez mais difícil por conta de engarrafamentos, insegurança, etc. Acho que a tendência é que as insubstituíveis aulas presenciais continuem ocorrendo, mas numa periodicidade menor, sendo complementadas pelas aulas virtuais

    • Rafael Leitão

      Concordo. Acho que ambos têm sua importância.

  • Dirlan Cruz

    Acho exagero pensar que o xadrez virtual sepultará o xadrez presencial. É incomparável a satisfação de jogar xadrez olho no olho; tocar as peças, ouvir o tic tac do relógio martelando seus nervos é impagável.
    Atualmente não frequento clube xadrez mas já o fiz há alguns anos. Nada se compara a tensão de um torneio presencial; as análises de partidas post mortem é um evento à parte.
    Um clube de xadrez é um santuário para qualquer enxadrista! Não, os clubes presenciais não acabarão!
    A deusa Caíssa nos livrará dessa catástrofe!!

  • MN David Borensztajn

    A respeito desse interessante tópico há que se acrescentar as aulas a longa distância, que prescindem da pessoa física.Hoje há muitos professores que dão aula via skype ou vendendo cursos completos (ou não) sobre xadrez. Além disso a popularização das vídeo-aulas publicadas (ou lançadas?) por empresas como Chess Base,Empire etc são muito interessantes, apesar de serem parciais sobre o tema. É também uma forma de aprendizado sem a presença de um mestre no sentido amplo da palavra.
    Mas concordo com o que disseram os outros, jogar um torneio ao vivo, ou mesmo jogar para se divertir é insubstituível pois há piadas,comentários de "perús" e outras coisas.
    Aqui em Copacabana há um clube no Posto 6, em plena Av. Atlântica, onde se joga diariamente, mas há que se conviver com o pessoal do carteado que nem incomoda.
    É uma turma assídua e de vez em quando vou lá. Na Praça Serzedelo Correa, igualmente em Copacabana, há um pessoal que joga, lá pelas 5 da tarde.
    Pena é que não haja mais lugares públicos certos, como, por exemplo, a Washington Square em Nova Iorque, onde se pode jogar com sem-teto,com profissionais de rua e outras pessoas. Há em Nova Orleans, também nos EUA, um forte jogador de rua que já virou ícone na cidade: Jude Acers que põe uma mesa num dos lugares mais frequentados da cidade (fantástica por sinal) e um cartaz anunciando que enfrenta qualquer um, e vende boinas vermelhas que são a marca dele.Chega a ser tão popular que no Mundial de Seniors de 2013, na Croácia, uma equipe de filmagem da universidade local foi lá fazer uma reportagem com ele, como parte de um documentário...

    • Rafael Leitão

      Excelente comentário, David. Deu vontade de dar uma passadinha aí no Posto 6 :)

  • Alexandre Baeta

    Aqui na minha cidade eu aprendi a jogar em um bar onde todos da cidade jogavam,depois fizeram um clube com sede propria,mas os jogadores mais fortes se mudaram de cidade. Desde entao o clube eh pouco frequentado,a maioria sao crianças que estudam la com um professor de xadrez pago pela cidade. Dai resolvi jogar pela internet e gosto muito de jogar postal na net. fico conhecendo pessoas do mudo todo e do brasil tb,conheci a thauane de medeiros e o edgar rodrigues primeiro pela net e depois que fui conhecer pessoalmente no aberto do Brasil de 2010 em Belo Horizonte. eh um meio de se criar amizades,e muitos gringos me ensinam xadrez pela net.Mas gosto do xadrez presencial,uma pena que aqui na minha cidade esta paradao...

  • Léo

    Muitas vezes vou ao CXC - Clube de Xadrez de Curitiba, com quase 78 anos de história! - nem para jogar, mas para encontrar amigos e conversar. Tanto o CXC quanto o CXSP - Clube de Xadrez de São Paulo, me trouxeram amigos. Ambos são minha segunda casa!

  • Denilson Moura

    Embora Barueri, SP, seja uma cidade rica, não temos um clube de xadrez autônomo e forte. Sei que Jandira, SP, que é próxima tem um pequeno clube que da muito resultado, senão me engano quem capitaneia lá é o Profº Etevaldo. Abraço!

    • Nicolas

      Passo na frente desta escolinha de xadrez todos os dias de onibus, porem nao ha telefone para entrar em contato e saber como funciona, os horarios , e mais detalhes.

  • Álvaro Frota

    Olá Grande Mestre!

    Quando o Xadrez online nasceu, na década de 90, acarretou um notável esvaziamento dos clubes de Xadrez. Na verdade, os clubes estavam em decadência e o Xadrez online foi a pá de cal em muitos deles.

    De fato, por que motivo alguém se sujeitaria a frequentar um ambiente sujo e mal iluminado, jogar com peças velhas, ensebadas, todas elas diferentes umas das outras, fora do padrão oficial, em tabuleiros de plástico imundos, utilizar relógios mecânicos recorrentemente defeituosos e se relacionar com pessoas viciadas em confrontos de ego?

    Muito mais fácil e prazeroso era desfrutar da novidade: jogar contra pessoas do mundo inteiro, instantaneamente. E, no caso de um capivara chato de plantão aparecer para reclamar que você estava ganhando dele por utilizar um engine de Xadrez, bastava desligar a conversação e banir o sujeito de sua lista de adversários.

    O problema não estava, portanto, na força de atração do Xadrez online. O problema estava na decadência dos clubes, que não ofereciam uma opção atrativa para se jogar Xadrez.

    Demorou certo tempo até esse diagnóstico gerar a implementação de uma estratégia de superação: equipar o clube com relógios digitais, para permitir partidas com bônus de tempo e superar o malfadado "final acelerado", eterna fonte de conflitos, trocar as peças capengas por jogos de peças oficiais, reformar as boas e velhas mesas de madeira, substituir os tabuleiros de plástico por tabuleiros de madeira, pintar a sala, trocar a iluminação, ampliar a biblioteca, reformar os banheiros e, como é claro, mantê-los sempre limpos.

    Também fez parte da estratégia de superação uma política de relações públicas que afastasse do clube aqueles elementos mais deletérios, gente morta de fome por prêmios, fabricantes de rating e seus clientes compradores de rating, egos em busca de guerras que não aquelas do tabuleiro.

    Ofertar torneios Blitz, Rápidos e Clássicos com uma programação consistente e persistente, visando criar o hábito das pessoas jogarem as modalidades de Xadrez que mais gostam.

    Ofertar treinamento presencial, mesmo que não seja o de um Grande Mestre, pois um jogador forte que possua boa didática e disposição para dar aulas pode auxiliar muito aqueles que ainda estão iniciando.

    Finalmente, investir na propaganda do clube, coisas simples como um bom site internet com notícias dos eventos e torneios, com muitas e muitas fotos, todas elas com legendas, pois fotos sem legendas ninguém sabe quem são as pessoas, listas de e-mails para enviar os convites aos torneios e eventos, comunidade no facebook para atrair pessoas interessadas no Xadrez.

    Eu tenho muito orgulho de estar o atual presidente de um clube que já há várias gestões, com várias outras diretorias, seguiu essa estratégia de superação, a Associação Leopoldinense de Xadrez - ALEX, um Clube de Xadrez no Rio de Janeiro.

    Existem dois tipos de clubes de Xadrez. Aqueles que são departamentos de clubes poliesportivos e clubes apenas de Xadrez. Nós da ALEX somos do segundo tipo, de forma que nos mantemos através das mensalidades e anuidades pagas pelos associados.
    Implementando a estratégia acima descrita, o Xadrez online, ao contrário de concorrer com o clube, passou a ser o grande fornecedor de novos sócios, e portanto, de novas mensalidades e anuidades.

    E finalmente, o mais importante: não dá para ser trabalho de uma única pessoa, daquele presidente que se eterniza no cargo e que acaba se burocratizando. Tem que ser um trabalho de equipe, com renovação permanente.

    Quem tiver a pachorra de abrir o link www.alex.org.br poderá verificar quem somos e o que fazemos na ALEX.

    Abraços a todos!

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