Grandes livros de xadrez: Minhas Melhores Partidas

 

Bobby Fischer: Minhas 60 Melhores Partidas

Neste artigo inauguramos uma série sobre grandes livros da história do xadrez. Para começar escolhemos uma obra que influenciou gerações de enxadristas de todo o mundo. Seu autor foi, para muitos, o melhor enxadrista de todos os tempos: Robert James Fischer.

Além de ter tido feitos incríveis no xadrez, Bobby Fischer também escreveu um livro que se tornou um marco na história do esporte, Minhas Melhores Partidas de Xadrez, no qual faz uma análise honesta e aprofundadas de sua carreira.

Quer saber mais sobre esse grande jogador e por que seu livro é leitura obrigatória para quem quer se tornar um enxadrista melhor? Então confira!

 

 

A Incrível História de Bobby Fischer

Poucos nomes nesse esporte evocam tanto fascínio quanto o deste norte-americano que assombrou o mundo em 1972 ao derrotar o russo Boris Spassky. Até então, a União Soviética detinha o título mundial desde 1948 e os atletas da potência comunista eram tratados como oficiais de estado.

Pois, no auge da guerra fria, o imprevisível e explosivo Bobby Fischer afundou o encouraçado soviético impiedosamente, sagrando-se campeão mundial com desempenho quase irreparável. Nascia assim a lenda de um dos maiores enxadristas de todos os tempos.

Na verdade, os dons quase sobrenaturais de Fischer já vinham sendo comprovados desde a metade dos anos 50. Afinal, quantas pessoas são capazes de, aos treze anos de idade, derrotar os melhores jogadores de seu país? Ele fez isso e muito mais: venceu o campeonato americano em 8 oportunidades, a primeira delas aos 14 anos, e nas duas décadas seguintes derrotou alguns dos mais brilhantes jogadores que já puseram as mãos num tabuleiro em qualquer época, entre eles campeões mundiais como Smyslov, Spassky e Petrosian. Para completar, Bobby deixou um legado a todas as gerações seguintes: um dos melhores livros de xadrez já escritos.

 

Combo Teoria Básica de Finais 2

 

Leitura obrigatória

O livro de xadrez Minhas 60 Melhores Partidas equivale a um passeio por dentro da mente de um jogador — e que jogador! Publicada pela primeira vez em 1969, antes do título de campeão mundial, essa obra-prima traz partidas que vão de 1957 a 1967, varrendo uma década inteira em que Fischer elevou sua habilidade quase que à perfeição, preparando-se para alcançar o apogeu no início dos anos 70.

Fischer é brutalmente honesto, tanto com o seu jogo, quanto com o dos adversários. Além disso, ele não procura enaltecer sua genialidade, tanto que comenta 9 empates e 3 derrotas ao contrário do padrão atual de livros de partidas, em que os autores comentam apenas suas vitórias. O campeão permite inúmeros vislumbres em seus conceitos estratégicos e filosofia de jogo, com preferência por aberturas que buscavam sempre a iniciativa, como a Najdorf, a Índia do Rei e sempre 1.e4 de brancas (uma regra que ele flexibilizaria em seu match com Spassky). É como sentar-se na primeira fila do teatro e testemunhar o monólogo de um gênio. Ou melhor: é estar na pele dele, em completa imersão. Os insights de Fischer operam como verdadeiras revelações, tão úteis para os jogadores pouco experientes quanto para os profissionais.

No Brasil, infelizmente, o livro lançado pela editora Record (também em 1969) só pode ser encontrado em sebos físicos e virtuais. Já está mais do que na hora de uma nova edição, mas, por enquanto, ninguém se candidatou. Uma nova edição, quem sabe atualizada por um forte grande mestre e fazendo correções de cálculo utilizando os melhores programas de análise, seria um “best-seller” instantâneo.

 

Gostou de conhecer mais sobre um dos maiores livros (e um dos maiores jogadores) do xadrez? Então confira também nosso artigo sobre a história de Bobby Fischer!

 

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2 Respostas a “Grandes livros de xadrez: Minhas Melhores Partidas”

  • Fcoregis

    esse livro é fantástico.. eu demorei 10 anos pra ter um volume original nas minhas mãos.. até que um amigo encontrou um exemplar intacto num "sebo" no rio de janeiro.. ai, depois arrumei uma edição comemorativa em inglês.. depois em francês.. depois em espanhol.. a genialidade dele é mostrada, com variantes calculadas durante as partidas e algumas analises póstumas da partida.. partidas que contem a verdade, não escondeu nada.. mostra como ele pensa, o que ele acha.. como ele, somente david bronstei comentou com tanta verdade no sue livro ajedrez de torneo, zurich 1953..

  • Roberto Cruz

    Prezado Rafael Leitão,

    Acredito que você estaria mais que capacitado para publicar uma nova edição desta obra clássica com comentários pertinentes e análises atualizadas.

    Não consigo compreender como um livro desses ainda não teve novas edições, principalmente em nossa era de e-books que tem imensas facilidades de distribuição e vendas.

    Um forte abraço!
    Roberto Cruz

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