As Últimas Aventuras de Anatoly Karpov

Anatoly Karpov esteve na elite do xadrez internacional até meados de 1999, quando abdicou de disputar o Campeonato Mundial da FIDE por não concordar com as mudanças na fórmula de disputa. Mesmo após duas décadas de inatividade, seu nome ainda desperta um grande interesse. 

 

Visto Negado

Em agosto de 2019, Karpov virou notícia pela dificuldade de obter o visto necessário para viajar aos Estados Unidos. De acordo com informações da agência britânica Reuters, Karpov foi questionado pelo governo americano sobre possíveis interesses políticos relacionados à visita.  Contudo, o enxadrista iria visitar a Chess Max Academy (CMA). Karpov apoia o treinamento dos jovens da CMA há dois anos. 

 

Retorno aos Tabuleiros

Já no mês de outubro, o nome de Karpov voltou a circular nos periódicos em razão de um possível retorno aos tabuleiros. Aos 68 anos, Karpov deve disputar um torneio em ritmo clássico entre os dias 29 de abril e 05 de maio de 2020. A competição será realizada em Malmo, na Suécia. O sueco Nils Grandelius (2691), o espanhol Alexei Shirov (2664), o tcheco David Navara (2717) e o jovem indiano Nihal Sarin (2610), de 15 anos, são alguns dos adversários confirmados. 

Segundo o Clarín, o último torneio do ex-campeão mundial foi em San Sebastián, no ano de 2009, quando terminou na última colocação com seis derrotas e três empates. Hikaru Nakamura conquistou o título, seguido por Ruslan Ponomariov e Peter Svidler. Sem dúvidas, o jornal argentino deve se referir aos torneios em ritmo clássico, visto que Karpov disputa – de vez em quando – torneios de rápido e blitz. 

O último desses eventos foi o 7º Torneio das Lendas, realizado na Espanha, entre os dias 24 de junho e 01 de julho de 2019. Além de Karpov, o torneio contou com a participação do armênio Rafael Vaganian, do sérvio Ljubomir Ljubojevic e do ucraniano Oleg Romanishin. Vaganian venceu tanto o torneio de rápido quanto o de blitz, Karpov foi vice-campeão em ambos.

Karpov em ação no Torneio das Lendas de 2018

 

Entrevista

A edição de setembro e outubro da revista espanhola “Peón de Rey” traz uma entrevista interessante com Anatoly Karpov. As perguntas foram realizadas pelo escritor Jorge Aguadero Casado. A seguir, os trechos mais interessantes.

JAC: Qual é a sua opinião sobre Mecking? 

Karpov: Henrique é um jogador muito interessante, muito talentoso. Nos conhecemos no início dos anos 70, em Atlanta, e depois nos vimos na antiga Iugoslávia. Sua doença o prejudicou em suas aspirações como enxadrista, mas segue desfrutando do xadrez. 

JAC: E Bobby Fischer?

Karpov: Fiquei muito bravo quando ele não defendeu o título comigo. Eu estava preparado para o encontro. Nos reunimos em três cidades para facilitar a disputa, mas ele colocou condições impossíveis. Ainda assim, Fischer foi muito positivo para o xadrez, ele aumentou o nível do jogo e o popularizou. Pra mim, estando na União Soviética, foi mais difícil continuar seu legado de popularização, mas estou de acordo com suas ideias sobre as boas condições para a profissionalização dos jogadores. As décadas de 1970 e 1980 foram as melhores nesse sentido, com bons prêmios nos torneios. Por certo, em 1975 fiz parte de um comitê de profissionais do xadrez.

 

 

JAC: Perder o título mundial mudou sua vida?

Karpov: Não mudou. Sigo sendo famoso, trabalho muito, tenho muitas atividades, sou a mesma pessoa. 

 JAC: Qual sua visão sobre a tendência de que o título de Grande Mestre seja alcançado cada vez mais cedo.  

Karpov: A falta de cultura de muitos mestres jovens é um profundo problema para o xadrez. Fui o Grande Mestre mais jovem do mundo no meu momento, aos 19 anos. Depois, conseguir o título aos 15 anos era excepcional. Na minha época, entre os 40 – 50 primeiros Grandes Mestres, se podia contar nos dedos de uma mão os que não tivessem alta educação. Agora, é o contrário. Os jovens têm muito conhecimento teórico, de alta qualidade e muito estrito, mas carecem de grandes conhecimentos generalistas: história, geografia …

Redação da Academia Rafael Leitão: No início da entrevista, Karpov coloca o xadrez nos tempos de União Soviética como um esporte praticado, preferencialmente, no verão. O contrário do que o senso comum pode insinuar. 

Karpov: Aprendi a jogar, conciliando com a escola, aos sete anos, ainda que antes já jogasse com meus amigos, principalmente no verão. De fato, no verão me encantava jogar. Algo impossível no inverno, com temperaturas de -40º. No inverno tinha dificuldades para encontrar algo interessante para jogar. No verão, o xadrez era um dos nossos jogos de infância, entre outros jogos russos.  

A entrevista completa, em espanhol, pode ser lida no site da “Revista Peón de Rey”.

 

Anatoly Karpov é o quarto maior enxadristas de todos os tempos, atrás de Fischer, Kasparov e Carlsen? Deixe sua opinião nos comentários. 

 

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Texto escrito pelo MF William Cruz.

4 Respostas a “As Últimas Aventuras de Anatoly Karpov”

  • Dorli

    O Embate com Bobby Fischer seria memoravel!

  • João Almeida

    Salvo engano Karpov é o maior vencedor de torneios da história!! Um gênio!

  • Ericson

    Segundo melhor. Atrás de Bobby!

  • Pedro Alcântara

    ninguém superou Fischer até hoje

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