O Xadrez para Pessoas com Necessidades Especiais

O panorama das pessoas com necessidades especiais ainda é bastante difícil, especialmente no Brasil. Com dificuldades de acessibilidade a lugares simples e também enfrentando o preconceito de boa parte da sociedade, muitas pessoas acabam se tornando reclusas, o que pode prejudicar seu desenvolvimento. Para auxiliar nisso, essas pessoas podem contar com os benefícios do xadrez.

Quer descobrir como o xadrez pode ajudar as pessoas com necessidades especiais? Então continue lendo!

 

Atuação do xadrez no cérebro

Uma pesquisa realizada por cientistas alemães e publicada na revista “PLoS One” mostrou que pessoas especialistas em xadrez usam uma parte maior do cérebro. Embora seja óbvio que nem todo mundo será um especialista, o resultado é indicativo de que o jogo permite que mesmo amadores usem outras partes do cérebro.

Quando se fala em pessoas com necessidades especiais, esse fator se torna ainda mais importante, porque significa que o jogo ajuda a cognição de seus praticantes.

 

Vantagens do xadrez para pessoas com necessidades especiais

Pessoas com necessidades especiais podem incluir pessoas com Síndrome de Down, autismo, deficiência na fala e dificuldades para ver ou ouvir. Outras necessidades especiais incluem o uso de cadeira de rodas, a hiperatividade e dificuldade de aprendizagem.

Em todos os casos, o xadrez tem vantagens, mais específicas ou mais gerais, que trazem benefícios contra alguma limitação em sua vida.

 

Aumenta a concentração

Crianças que sofrem de hiperatividade ou de autismo podem ter problemas para se concentrar. O xadrez auxilia nesse sentido porque se torna um ponto de foco para o jogador, permitindo que sua concentração seja aumentada. Com isso, crianças que não conseguiam prestar atenção em algo ou focar em uma atividade encontram no xadrez uma maneira de praticar essa habilidade e vencer sua limitação.

 

Melhora o aprendizado

Por ser um jogo de estratégia, concentração e análise, e também por estimular várias partes do cérebro, o xadrez estimula o desenvolvimento cognitivo, facilitando o aprendizado. Crianças com dificuldades intelectuais encontram no xadrez uma ferramenta e um aliado para melhorar o seu desenvolvimento.

 

Aumenta o poder de memorização

Com a prática constante do xadrez, pessoas com necessidades especiais têm sua capacidade de memorização aumentada principalmente devido às jogadas e aos padrões encontrados em uma partida. Isso ajuda a reduzir os impactos da dislexia, por exemplo, impedindo que o aprendizado seja prejudicado.

 

Favorece a socialização

Como o xadrez precisa de um segundo jogador, existe um favorecimento da socialização. Isso ajuda crianças e adultos a fortalecerem laços sociais e pode ser, inclusive, determinante para uma melhora nas limitações.

O autismo é um exemplo de condição que com o tratamento correto e com socialização pode ter sua severidade diminuída — e o xadrez pode ajudar nisso.

 

Promove integração social

Diferentemente de um esporte como basquete, vôlei ou futebol, em que pessoas com necessidades especiais, como cadeirantes, têm sempre que jogar à parte, o xadrez promove uma integração social completa, já que as pessoas jogam de igual para igual.

No caso de uma pessoa cadeirante, por exemplo, o xadrez é especialmente benéfico porque ambos ficam na mesma altura, sem que existam diferenças quanto às condições de mobilidade. Embora seja um fator importante para adultos, isso é ainda mais relevante para crianças, especialmente aquelas que ainda estão se adaptando a uma nova condição.

Além disso, jogadores com diferentes necessidades podem jogar o xadrez, como é o caso de uma pessoa deficiente visual ou uma pessoa com dificuldades de movimento, por exemplo. É possível que uma pessoa com necessidades especiais jogue de igual para igual com outra que não tenha as mesmas limitações. Isso impede que ocorra uma segregação por necessidades e permite que todos se sintam integrados ao mesmo local e unidos pela mesma atividade.

 

Melhora o comportamento

Mais focados, concentrados, socializados e desenvolvidos, jogadores com necessidades especiais apresentam uma melhora no comportamento em geral. Isso é verdade tanto para pessoas que apresentavam comportamento agressivo ou com problemas de autoridade quanto para aquelas que apresentavam comportamento recluso.

 

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Programas e iniciativas que levam o xadrez para pessoas com necessidades especiais

Para que esses benefícios sejam aproveitados, entretanto, é preciso que haja o investimento em programas de xadrez voltados para pessoas especiais, objetivando desenvolver suas habilidades adequadamente. Nesse sentido, destacamos cinco programas e iniciativas que podem servir como exemplo:

 

Xadrez Movimento Educativo

Criado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo, o Xadrez Movimento Educativo é um programa que busca inserir o xadrez em centros municipais e estaduais de ensino para crianças, jovens, adultos e pessoas com necessidades especiais.

Regulamentado em 2009, esse programa também pretende desenvolver as capacidades de pessoas com necessidades especiais por meio dos benefícios trazidos pelo xadrez. Para isso, é preciso que sejam encaminhados para a Diretoria Regional de Educação anualmente dados estatísticos referentes o projeto e seu engajamento.

 

Jogos Abertos de Goiás

Com etapas realizadas em Formosa, os Jogos Abertos de Goiás em 2010 ganharam  inclusão de modalidades de paradesporto, nas quais 105 atletas puderam competir. Dentre as modalidades estava o xadrez, configurando-se como um incentivo ao ensino do jogo para quem tem algum tipo de necessidade especial. Esse tipo de incentivo é especialmente importante para que mais crianças, jovens e adultos possam utilizar os benefícios da modalidade.

 

Xadrez Adaptado para Cegos

A Associação dos Cegos do Rio Grande do Sul desenvolveu um programa de xadrez adaptado para quem tem dificuldades visuais, total ou parcialmente. A Associação é responsável não apenas por ensinar as técnicas do xadrez adaptado, mas também por fornecer peças que garantam acessibilidade ao jogo.

 

Minitorneio de Xadrez de Barra Mansa

Em 2010 aconteceu o primeiro Minitorneio de Xadrez em Barra Mansa, no Rio de Janeiro. Um dos dias de competição foi reservado para pessoas com necessidades especiais e os participantes tiveram acesso a tabuleiros com velcro e peças facilmente identificáveis. Todos os participantes foram membros do Centro de Atendimento ao Portador de Necessidades Especiais.

 

Equipes Olímpicas de Cegos e de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais

A Olimpíada de Xadrez tem a participação de duas equipes especiais que competem em igualdade de condições com os demais países: a equipe olímpica de cegos e a equipe olímpica de pessoas portadoras de necessidades especiais.

Essas equipes são formadas por enxadristas de diversos países, contando com fortes jogadores. No ano de 1996, na Olimpíada de Xadrez de Erevan, na Armênia, a equipe brasileira enfrentou Equipe de Cegos. Na Olimpíada de Tromso 2014, a Equipe de Cegos (IBCA) ficou com a 78ª colocação e a Equipe de Pessoas com Necessidades Especiais (IPCA) ficou na 107ª posição, dentre 150 países.

Atualização: Em 2016, nas Olimpíadas de Baku, a IPCA ficou na 74ª colocação e IBCA terminou no 88º lugar.

 

Vantagens da integração social

A integração social fornecida pelo xadrez é de inestimável importância para pessoas com necessidades especiais, já que permite sua inserção na sociedade e que elas sejam vistas como pessoas com aptidões, vontades e qualidades. Isso por si só garante mais confiança e mais autoestima à pessoa, permitindo que ela possa explorar as possibilidades do próprio desenvolvimento.

Os benefícios do xadrez para pessoas com necessidades especiais incluem desde a melhora na concentração e aprendizagem até o desenvolvimento de um comportamento social. A integração social, por sua vez, leva  maior autoestima, independência e qualidade de vida.

 

Qual é a sua opinião sobre o ensino de xadrez para pessoas com necessidades especiais? Conhece algum projeto nessa área? Conte-nos!

5 Respostas a “O Xadrez para Pessoas com Necessidades Especiais”

  • Roberto Abreu

    Olá, caríssimo GM, Rafael Leitão!

    É com grande prazer que escrevo pra ti. Fiquei muito admirado com esta sua matéria. Obrigado. Aliás, tenho buscado muita leitura e pesquisando bastante, sempre, sobre este assunto, um dos meus focos, ultimamente. Bom. Além de Prof. de Educação Física e de Xadrez, sou Poeta e Compositor, com muito orgulho, presentes de Deus.

    Concluí um Projeto (Graças a Deus!), e inédito no Brasil, depois de mais de 14 anos com ele engavetado. Isso mesmo. Mas, resumindo, pois a história é longa, o meu Projeto - Crianças Aprendem a Jogar Xadrez Com Música - é voltado às crianças ditas 'normais', a partir de 3 anos de idade, de forma bastante lúdica, pois a música é uma grande aliada para as mesmas, pois elas se identificam com os sons melódicos, clássicos da musicalização infantil, ou seja, em se tratando de cantigas, o que é o caso neste meu Projeto, nomeado por mim de Método Errebeá.

    E os resultados são surpreendentes, pois as cantigas, tradicionalmente, com a sua carga de alegria e com as riquíssimas rimas são cativantes e ativam mais ainda o campo da memória no cérebro delas. Aliás, dos jovens e adultos, também.

    Este Projeto é, portanto, de cunho cultural e educacional. E, pelos meus estudos e pesquisas, passou a ser, também, de inclusão social, pois a música, assim como o Xadrez, é, testadamente, um fator de grande positividade no tratamento e no progresso saudável das pessoas portadoras de necessidades especiais. E, de outra forma, como inclusão social, eu acabei de implantar este meu Projeto, com carinho, voluntariamente e de forma gratuita, na Creche "Lar da Criança Padre Cícero", em Taguatinga (Brasília) com o Método Errebeá, para 63 crianças carentes de 3 e 4 anos de idade.

    Já tenho um pré-lançamento com essa metodologia a ser aplicada a um grande número de crianças autistas, através de uma profissional musicoterapeuta, daqui de Brasília, também, que adorou as músicas/cantigas deste Projeto. Outras entidades com este público-alvo (necessidades especiais) serão captadas, também, para receberem este Projeto, se Deus quiser.

    Portanto, a aprendizagem do Xadrez, aliada à música, se tornou num casamento perfeito. Compus 7 (sete) músicas, já gravadas em CDs, sendo seis delas que levarão as crianças a aprenderem as regras sobre a movimentação das peças do Xadrez, intituladas: O Bispo, A Torre, A Dama, O Cavalo, O Rei e O Peão. A sétima música (Vamos Montar o Tabuleiro) completa esta criação, sendo fundamental na aprendizagem, também.

    No referido Projeto constará ainda (segundo passo) na formação de uma grande e linda peça de Teatro Infantil Musical com estas mesmas músicas inseridas no roteiro. Modéstia à parte, será formidável!

    Obrigado, caro Rafael, pela oportunidade em expor, aqui, este comentário sobre o meu Projeto, diante da divulgação da sua brilhante matéria acima. E fico à sua disposição para tecer mais detalhes a respeito ou possibilitarmos um contato presencial para eu expor a você as músicas, também, para a sua apreciação/avaliação.

    Saudações enxadrísticas!!
    Grande abraço.

    Roberto Abreu

    • Rafael Leitão

      Caro Roberto,

      Parabéns pelo seu projeto. O Brasil precisa de mais pessoas como você. É possível escutar as músicas que você compôs para o projeto?

      Um abraço,
      Rafael

  • Roberto Barbosa de Abreu

    Caríssimo GM, Rafael,

    Agradeço imensamente as suas palavras tão elogiosas e, ainda mais, partindo de você. Sei que és uma pessoa idônea, de muito brio e de boa fé. Um grande orgulho para o nosso Xadrez Brasileiro. Diante disso, eu preciso, portanto, da sua grande confiança, no sentido que você me passe um end. de e-mail seu (bem pessoal), pois somente VOCÊ poderá acessar as minhas músicas deste meu Projeto para a sua apreciação/avaliação.

    Te enviarei em caráter PRIVATIVO, pois elas não serão postadas por mim, nem permitidas, em nenhum canal da web para divulgação em público (caso a pensar no futuro), devido aos meus direitos autorais (registro feio na UBC - União Brasileira de Compositores) e pelo fato delas fazerem parte de um Projeto meu, inédito no Brasil (como eu mencionei acima). As músicas além de serem lançadas na seara da inclusão social, como estou fazendo (de coração aberto), também, serão lançadas nas escolas particulares (Educação Infantil), em cursos pela net (e-book) e workshops que promoverei, tendo portanto, um valor comercial.

    Por gentileza, caro Rafael, envie o seu end. de e-mail pessoal pelo meu end. que você já o tem, através do seu: [email protected] - ou via mensagem, pelo Facebook, apesar de não sermos ainda amigos virtuais (rsrs). Por lá temos muitos amigos comuns (meu perfil é: Roberto Abreu).

    Conto com o seu carinho e a sua compreensão.

    Grande abraço.

    Roberto

    • Adroildo José Martins

      Olá Roberto.
      Vou te enviar um convite no Face.
      Esta materia realmente foi de uma grande felicidade por parte do Grande Mestre Rafael Leitão e deverei usar alguns tópicos em trabalhos que desenvolvo na área. Meu nome é Adroildo e sou enxadrista deficiente visual e fiquei bastante interessado neste seu projeto.

    • Juliana Drumond

      Boa Tarde,
      Sou professora de Educação Física e atualmente peguei um projeto para trabalhar com o Xadrez. Esse método de ensinar as crianças com música é incrível. Tenho muito interesse! Como faço para poder trabalhar com essas músicas?

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