Grandes Livros de Xadrez: Tratado General de Ajedrez

Grandes Livros de Xadrez: Tratado General de Ajedrez

Grandes Livros de Xadrez: Tratado General de Ajedrez

O autor

Roberto Grau é considerado o pai do xadrez argentino. Nascido em Buenos Aires, no ano de 1900, foi campeão nacional em seis ocasiões. Representou a Argentina em seis Olimpíadas entre 1924 e 1939. Nesse período, conseguiu resultados fantásticos ao vencer jogadores do calibre de Max Euwe e Reuben Fine. Também empatou com Alexander Alekhine, José Raul Capablanca, Siegbert Tarrasch e Ernst Grünfeld.

Roberto Grau também foi assistente de Alexander Alekhine no match pelo Campeonato Mundial contra José Raul Capablanca, em Buenos Aires, no ano de 1927. Na função de organizador, Grau foi importante para a escolha da capital argentina como sede da Olimpíada de 1939.

De acordo com o Chessmetrics, site que estipula a força dos jogadores do passado, Roberto Grau era o 39º enxadrista do mundo em 1939, com um rating de 2.580 pontos. Botvinnik, Fine, Alekhine e Reshevsky encabeçavam a lista. Roberto Grau faleceu precocemente no ano de 1944.

 

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Roberto Grau é considerado o pai do xadrez argentino

O livro

Apesar de uma respeitosa carreira, possivelmente, a maior contribuição de Roberto Grau para o xadrez foi o livro “Tratado General de Ajedrez” (Tratado Geral de Xadrez). Trata-se de uma obra clássica, traduzida em vários idiomas, com uma didática simples, o que facilita o entendimento e o aprendizado.

 

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A primeira edição do livro é de outubro de 1930 e, mesmo após quase 90 anos, os conceitos abordados ainda são de extrema importância para o desenvolvimento enxadrístico. De fato, o livro Tratado General de Ajedrez é uma obra à frente de seu tempo.

O Tratado é dividido em quatro volumes: 1- rudimentos; 2- estratégia, 3-estrutura de peões e 4- estratégia superior. O volume 1 e 2 é indicado para enxadristas iniciantes até 1600 de rating. Já os volumes 3 e 4 são de grande relevância para jogadores até 2300.

No volume 3, o livro aborda diversos conceitos sobre estrutura de peões. O conceito de debilidade é amplamente discutido, já que – segundo Grau – a cada avanço de peão cria-se uma fraqueza em nosso próprio território. Peão passado, dobrado, atrasado, isolado, tudo isso é debatido nesse produtivo tomo.

Já no volume 4, por exemplo, o leitor poderá compreender com partidas da época as reais diferenças entre um bispo e um cavalo. Em quais posições o cavalo é superior e como o bispo pode superar o cavalo em outras situações.

O GM Rafael Leitão já mencionou diversas vezes sua preferência pelo par de bispos. Nesse sentido, o livro de Grau traz um capítulo inteiro sobre o tema e fica fácil compreender porque o Rafael gosta tanto dos seus bispos.

Par de torres x dama, como jogar posições com qualidade a menos, o problema do bispo de c8 em algumas aberturas, são alguns dos temas interessantes abordados no volume 4.

 

Escola brasileira x escola argentina

Até certo tempo, era comum ouvir que existia uma nítida diferença entre os enxadristas brasileiros e os argentinos. Em geral, os brasileiros calculavam melhor, atacavam mais, porém, eram mais falhos que os hermanos do ponto de vista estratégico.

É difícil medir até que ponto essa afirmação condiz com a realidade do século passado. De qualquer forma, o livro Tratado General de Ajedrez se popularizou no país vizinho e pode ser um dos motivos para o entendimento estratégico ser mais profundo na Argentina.

 

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Equipe da Argentina na Olimpíada de 1939

 

 

Ainda existe diferença de estilo entre os enxadristas do Brasil e da Argentina? Deixe sua opinião nos comentários.

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Comment ( 1 )

  • Otávio Dieguez

    O Julio Granda teria comentado que estes tomos foram a única publicação que estudou antes de se tornar GM.

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