5 Conselhos Aos Pais

O xadrez é comprovadamente uma poderosa ferramenta pedagógica. Estudos como a tese de doutorado do Prof. Antonio Villar Marques de Sá, intitulada “O jogo de xadrez e a educação”, defendida na Universidade de Paris, atestam que o estudo e a prática do esporte-arte-ciência desenvolvem habilidades como memória, concentração, raciocínio analítico e sintético, paciência, autocontrole, poder de decisão, aprendizagem de línguas estrangeiras, dentre tantas outras.

Assim, é natural que muitos pais queiram que seus filhos joguem. Mas muitos têm dúvidas sobre como conduzir esse processo. Então, nós resolvemos elencar algumas sugestões:

 

Tem que ser divertido!

Desculpa, mas eu acho difícil você convencer uma criança a fazer alguma coisa porque isso vai aumentar as notas em matemática. Mas se ela descobrir um jogo instigante, desafiador, pleno de alternativas, as chances aumentam consideravelmente. Aproveite também para compartilhar momentos de lazer com seu filho. Estou certo de que toda a família irá sair ganhando.

 

Não cobre excessivamente

As teorias educacionais cada vez mais enaltecem a importância de se respeitar as individualidades. Se levarmos em consideração o conceito de inteligências múltiplas, perceberemos como cada pessoa tem talento diferenciado para determinados aspectos cognitivos, seja matemático, linguístico, musical, sensorial, de comunicação etc. Assim é que os progressos desiguais devem ser respeitados. E, lembre-se do nosso mantra: tem que ser divertido!

 

Não elogie em demasia

Da mesma forma que discordamos de quem critica severamente, sugerimos muito cuidado aos mimos. Pesquisas científicas e empíricas indicam que as crianças acostumadas a sentenças como “nossa, como ele é inteligente” ou “essa menina sabe tudo” podem desenvolver um medo de falhar e assim criam aversão a novos desafios. No sentido oposto, defendemos o culto ao processo: “viu como você se esforçou e agora está jogando com mais desenvoltura que na semana passada?”.

 

Não facilite

Esse é um tema polêmico, mas eu não deixo propositadamente meus alunos me vencerem. Nem mesmo meu filho. Eles precisam entender que eu já estudei mais. Então, eles necessitam percorrer essa jornada para alcançar meu nível. Reza a lenda que certa vez em um clube de xadrez de Buenos Aires um garotinho buscava um parceiro para jogar umas partidinhas. Como era iniciante, encontrou muita dificuldade para arrumar um adversário dentre os senhores que se julgavam muito experientes para perder esse tempo. Eis que surge nada mais nada menos que o campeão mundial, Robert James Fischer, para aceitar o desafio. Jogaram várias partidas noite afora, com um só resultado: vitórias e mais vitórias do implacável Bobby, que assim passou uma lição de uma só vez a adultos e crianças. Portanto, vejo como formato ideal juntar uma turminha de nível semelhante em que se alternem vitórias, empates e derrotas. Aliás, esse é outro benefício que o xadrez pode proporcionar: desenvolver a inteligência emocional no trato com os diferentes resultados possíveis.

 

Contrate um bom professor

Sabe aquele princípio básico de buscar boas referências? Pois é, isso vale para o xadrez também. No mercado, existe muito professor-pardal a desenvolver teorias esdrúxulas. Pior, há aqueles que ensinam a busca pela vitória a qualquer custo. Têm também os que irão repassar a arte da intimidação, do bater peça e encarar. Espero que não seja exatamente essa a postura que você queira ver seu filho reproduzindo por aí, não é mesmo? 

Ah! E, de novo, não se esqueça do nosso mantra: tem que ser divertido!

 

No comments

Deixe seu comentário