Qual é o Meu Estilo de Jogo no Xadrez?

Experiência Inicial

Pedro tem 24 anos e aprendeu a jogar xadrez há dois meses. Nunca disputou e nem sequer visitou um torneio, porém, seus olhos brilham quando acompanha as partidas de Magnus Carlsen pela internet. Ele dificilmente acerta os lances do campeão mundial, porém, acha incrível como Carlsen supera seus adversários em posições com poucas peças. 

Certo dia, Pedro decidiu ir até a biblioteca de sua cidade. Haviam lhe informado sobre uma sala onde o pessoal se reunia para jogar umas partidas amistosas. Ao chegar ao local, ficou em pé na espera que uma das mesas fosse desocupada. Quando o clube está cheio, a regra é simples: perdeu, levanta!

Minutos depois, uma partida terminou e Pedro sentou-se. Seu adversário era um homem alto e utilizava óculos, terno preto, camisa branca e gravata azul. A partida durou uns dez minutos e Pedro foi derrotado. 

– Qual é o seu estilo de jogo? 1.e4 não é um bom lance para quem não quer se arriscar. Falou o homem com uma entonação típica de um professor. 

Pedro agradeceu a dica e se levantou. Logo foi para outra mesa e jogou outra partida. Repetiu o ritual algumas vezes até vencer seu primeiro jogo. Depois da vitória, relembrou da questão anterior: “Estilo de jogo? O meu estilo preferido é aquele que dá xeque-mate!”.

De fato, quem está iniciando no xadrez não tem estilo de jogo. Ainda não houve tempo suficiente para compreender o significado desse conceito. É preciso adquirir certa experiência em competições e dedicar muitas horas de estudo antes de escolher um estilo.

 

A Imposição de Um Estilo para Acelerar a Evolução

Até o nível de Mestre Internacional, a maioria das partidas é decidida no cálculo (capacidade de identificar temas táticos e olhar alguns lances na frente, com precisão). Por essa razão, é importante impor um estilo que privilegie posições agressivas, de ataque. Assim será possível desenvolver as habilidades de cálculo com maior velocidade e, consequentemente, vencer mais partidas. 

Isso não quer dizer que os gambitos são as melhores opções de abertura. Até é possível jogá-los de vez em quando, mas nesse primeiro momento é importante estudar as variantes clássicas. O enxadrista precisa compreender a base teórica fundamental para o desenvolvimento. 

 

Robô jogando xadrez

Computadores causaram uma revolução na Teoria de Aberturas

 

Sugestão de Repertório de Aberturas Para Iniciantes

Com o intuito de impor um estilo agressivo, de ataque, o jogador iniciante deve seguir as seguintes sugestões de aberturas:

  • Com as peças brancas, o primeiro movimento deve ser 1.e4. Caso o adversário jogue a Defesa Siciliana, deve-se abrir a posição com 2.Cf3 e 3.d4 levando para as posições clássicas.
  • Contra a Defesa Francesa (1…e6) e contra a Defesa Caro-Kann (1…c6), a ideia é evitar a variante das trocas, caracterizada pelo lance 3.exd5. 3.Cc3, por exemplo, é uma excelente opção para ambos os casos.
  • Com as peças pretas, se o adversário jogar 1.e4, deve-se responder com 1…c5 e escolher alguma das variantes da Defesa Siciliana. Em caso de objeções contra esse sistema, deve-se optar por 1…e5.
  • Quando o rival jogar 1.d4, a Defesa Índia do Rei é uma arma poderosa. Essa abertura pode proporcionar posições surpreendentes de ataque, o que contribui para a criatividade do enxadrista.

 

A Transformação do Repertório de Aberturas

Depois de certa vivência no xadrez, se julgar conveniente, o jogador pode mudar para um repertório posicional. Neste caso, com as peças brancas, ele pode jogar 1.d4 ou 1.c4. De pretas, contra 1.e4, 1…e5 poderia ser mantido e contra 1.d4, 1…d5 é a resposta mais sólida.

 

Variantes Com Muita Teoria

Por fim, tanto no repertório posicional quanto no agressivo, o enxadrista com certa experiência precisa definir se jogará posições com mais ou menos teoria.  O GM Rafael Leitão, por exemplo, busca variantes em que a teoria ainda esteja em desenvolvimento, ou seja, com poucas partidas de Grandes Mestres na posição. Nessas variantes é mais fácil encontrar ideias novas que coloquem problemas para o adversário. Contudo, se você tem energia para compreender e memorizar variantes com mais de 25 lances forçados, tudo certo também, não deixa de ser uma questão de gosto. 

 

Agressivo ou posicional, qual é o seu estilo de jogo preferido? Deixe sua opinião nos comentários.

Gostou do artigo? Então compartilhe nas redes sociais.

Texto escrito pelo MF William Ferreira da Cruz.

2 Respostas a “Qual é o Meu Estilo de Jogo no Xadrez?”

  • Alcides

    O meu é posicional

  • Jonas

    ainda não sei muito bem meu estilo, mas gosto muito de tática.

Deixe seu comentário