Kramnik Sugere Acabar Com O Roque No Xadrez

Você é um enxadrista que detesta decorar longas variantes, tem aversão à teoria de aberturas e acha que a decoreba diminui o interesse do xadrez? Fique tranquilo, você não está sozinho. O último match pelo Campeonato Mundial, entre Magnus Carlsen e Fabiano Caruana, terminou com 12 empates em 12 partidas clássicas e fez ressurgir uma antiga questão: “As regras do xadrez precisam ser modificadas?”.

O I Campeonato Mundial Oficial de Fischer Random (também conhecido como Xadrez 960) foi disputado em 2019, na Noruega. Sem dúvida trata-se de um teste inicial nesse sentido, mas não é a única opção. Em artigo publicado no Chess.com, o ex-campeão mundial, Vladimir Kramnik, sugere outra possibilidade para revigorar o xadrez.

 

Xadrez Sem Roque 

Kramnik propõe que a regra do roque seja excluída do xadrez. Segundo o enxadrista, “a restrição ao roque fará com que os jogadores não confiem na teoria de aberturas atual. Todos serão forçados a pensar criativamente desde o início do jogo. Mesmo que um jogador queira forçar o empate, é quase impossível controlar tudo. Afinal, será muito mais difícil encontrar um lugar seguro para o rei”. 

 

Testes Com o AlphaZero

Graças ao apoio do laboratório de inteligência artificial DeepMind, o enxadrista teve a oportunidade de testar sua ideia com o famoso AlphaZero, que foi programado para jogar o xadrez sem roque. 

Assim como fez com o xadrez clássico, o AlphaZero aprendeu gradualmente como dominar o jogo através de um processo de tentativa e erro. Depois de milhões de partidas, o programa se tornou um especialista e isso permitiu avaliar o equilíbrio geral do jogo. Kramnik, então, chegou às seguintes conclusões:

 

  • A porcentagem de vitória das brancas, das negras e de empates é semelhante ao xadrez clássico, ou seja, o xadrez sem roque – em comparação com o xadrez clássico – não oferece melhores condições para nenhum dos lados. 

 

  • Impedir o roque torna o rei uma peça mais dinâmica e divertida, o que possibilita vários padrões originais. 

Vantagem em Relação ao Fischer Random

Neste instante você poderia questionar: qual a vantagem do Xadrez Sem Roque em relação ao Fischer Random? No mencionado artigo, Kramnik também respondeu essa questão: “O Fischer Random é um variante interessante, mas tem suas desvantagens. Parece faltar uma qualidade estética encontrada no xadrez tradicional e isso torna o jogo menos atraente para jogadores e espectadores”.

 

Xadrez Pouco Criativo Não é Culpa dos Jogadores

Apesar de sugerir uma nova variante para o xadrez, Vladimir Kramnik deixou claro que a ausência de criatividade nas partidas atuais não é culpa dos jogadores. “Essa é a realidade que eles enfrentam. Seria estranho esperar que eles diminuíssem suas chances de êxito para jogar mais partidas consideradas divertidas. Por experiência própria, sei o quão difícil se tornou forçar uma luta complexa e interessante se o oponente quiser jogar de forma segura. (…) Por isso, acredito que devemos rever essa tendência antes que o espírito de jogo desapareça”, afirmou o ex-campeão mundial.

Você concorda com a ideia de abolir o roque no xadrez? Deixe sua opinião nos comentários. 

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Texto escrito pelo MF William Cruz.

7 Respostas a “Kramnik Sugere Acabar Com O Roque No Xadrez”

  • Rilton Conti

    O xadrez enquanto jogo e ferramenta de estudo possibilita inovações como essa proposta por Kramnik. No passado, Capablanca também propôs mudanças e Fischer ao seu tempo o xadrez randômico! São possibilidades de estilos diferentes de jogar o xadrez; não misturar as modalidades é o caminho que imortalizará o jogo, arte e ciência!

    • Willians

      Acho interessante a idéia de Kraminik , poderia sim ser feito da forma que ele disse, porém teria que ser uma modalidade a mais sem desconsiderar as já existentes, e o o jogador para ser campeão mundial deveria ser bom em todas as modalidades, xadrez clássico, xadrez randômico, blitz, bulet, xadrez sem Rock. Cada vitória em cada modalidade conferindo uma quantidade específica de pontos, a média de tudo seria uma nota final que mostraria o melhor jogador ,esse ganharia o título. É como se fosse um teste de raciocínio, seria até mais difícil, mas mostraria quem é melhor de formal geral, abrangendo tudo, incluiria também xadrez as cegas.

  • João Victor

    Roque. Enpassant e coroaçao tem que acabar

    • Fábio

      Concordo. Só na questão da coroação que coloco uma observação: ela deveria servir para recuperar peças perdidas, não adicionar novas peças; não poderia existir 2 damas ou 3 torres.

  • Hildeberto

    Pergunta a ele se no auge da carreira ele aceitaria uma mudança desse calibre.
    Se aposenta e agora quer estragar o jogo é? Não senhor Vladmir! Procure algo melhor pra pensar em mudar ok .!!

  • Antonio Sparvoli

    No nîvel amador não existe nenhuma necessidade de mudar nosso amado e perfeito jogo. No nível dos super-grandes mestres penso que poderiam ser incluídos pequenos detalhes de aleatoriedade, como por exemplo o roque pequeno só poderia ser feito após o 20, 25 ou 30 lances (talvez fosse feito um sorteio no lance 5 em que momento seria permitido o roque). E o roque grande poderia ser feito como atualmente ou como se faz o roque pequeno (para a ala da dama, claro). Penso que essas pequenas alterações não desfigurariam a nobre arte, mas incluiriam um fator aleatório que dificultaria as grandes sequências teóricas de decoreba ensinadas pelos programas.

  • José

    Interessante ou não, certamente não seria mais xadrez. Arrumem outro nome para o novo jogo. Já o estragaram o bastante com os regimes de tempo "nocaute" - que também não é xadrez.

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