Kasparov: Não Tema As Máquinas Inteligentes, Trabalhe Com Elas!

Palestra de Kasparov no TED

 Em 1984, na Califórnia, surgia uma organização sem fins lucrativos que possuía como principal motivação a discussão de ideias. Inicialmente voltada para a área de tecnologia, o grupo rapidamente cresceu e, com ele, os seus interesses: de questões científicas (como ondas gravitacionais e viagens espaciais), passando por diálogos sobre liderança, ecologia, comportamento, engenharia de alimentos, linguagem corporal e motivação, o sucesso do formato deu início a um série de licenças para encontros menores que são, hoje, realizados por todo o mundo.

 

Assim nascia e crescia o TED (Technology, Entertainment, Design), que possui como lema Ideas worth spreading – algo do tipo “ideias que merecem ser disseminadas”. Com palestras de, no máximo, vinte minutos, as apresentações são disponibilizadas posteriormente no site da fundação, de forma gratuita, visando realmente disseminar o conhecimento da forma mais democrática possível. Bill Gates, Al Gore, Bill Clinton, Richard Dawkins, Michelle Obama, são algumas das personalidades que já passaram pelo palco do TED (ou TEDx – que são as edições independentes organizadas ao redor do mundo). Além disso, a cada ano, a organização elege um pensador de destaque e repassa US$ 100 mil dólares para que esse realize “um desejo que vai mudar o mundo”.

 

 

Depois da aula de matemática, os alunos seguem para a aula de dança; depois estudam um pouco de química antes de pegarem pincéis e colocarem em prática o que aprenderam na aula de história da arte. Hoje, essa grade de horários é rara nas salas de aula. Para o especialista em criatividade Ken Robinson, a escola nos ensina a nos tornar bons trabalhadores e não pensadores criativos. E, para ele, isso precisa mudar. O britânico propõe uma nova forma de pensar o sistema de ensino, cultivando a criatividade e reconhecendo múltiplas formas de inteligência. Esta palestra já atingiu, aproximadamente, 17.579 visualizações.

 

Bom, mas o que isso tem a ver com xadrez? Sinceramente, tudo.

 

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Kasparov x Deep Blue

 

O eterno campeão mundial Garry Kasparov acaba de publicar um novo livro chamado “Deep Thinking: Where Machine Intelligence Ends and Human Creativity Begins” (“Pensamento profundo: Onde a inteligência da máquina termina e começa a criatividade humana”) onde o russo conta o seu lado da história no famoso confronto contra o supercomputador da IBM Deep Blue – caso queira relembrar um pouco este singular encontro, escrevemos um artigo sobre ele aqui.

 

 

Em realidade, neste livro, Kasparov vai muito além de apenas dar a sua versão dos fatos. O ex-campeão mundial discute um pouco a história e os dilemas filosóficos e conceituais por trás da AI (Inteligência Artificial), entrando de forma consistente num debate urgente com filósofos preocupados com os limites éticos da AI; programadores que estão, neste exato instante, criando redes neurais de autoaprendizagem; e engenheiros de robótica de ponta. E, ao contrário do que poderia ser esperado, Kasparov não vislumbra nenhum futuro distópico do tipo as máquinas subjugando o ser humano (a exemplo de sucessos de bilheteria como O Exterminador do Futuro e Matrix). Garry argumenta as vantagens que as máquinas nos oferecem e nos lembra que deveríamos trabalhar junto delas, utilizando-as para conseguirmos os nossos objetivos e tornarmos realidade nossos sonhos.

 

Embora o livro de Kasparov ainda não possua tradução para o português, podemos ter uma pequena amostra das ideias ali discutidas pelo ex-campeão mundial – e é aí que entra o TED. Kasparov realizou (em abril deste ano) uma pequena palestra de quinze minutos para o TED em que, de modo muito carismático, compartilha um pouco do que debate em seu livro – além de relembrar o seu fatídico encontro contra Deep Blue.

 

Assista a palestra gratuita ” O Método de Treinamento do GM Rafael Leitão”

 

Trechos da palestra de Kasparov no TED

 

Alguns trechos da palestra de Kasparov:

 

Eu joguei dois matchs contra o supercomputador da IBM, Deep Blue. Ninguém parece lembrar-se que eu ganhei o primeiro (risada do público). Antes do duelo de revanche na Filadélfia, que perdi, lembravam-se. Mas eu acho que isso é justo. Não há nenhum dia na história, nenhuma data especial, para recordar, por exemplo, quantas pessoas não conseguiram escalar o monte Everest antes que o Sr. Edmund Hillary e o Sr. Tenzing Norgay conseguissem. Em 1997, quando eu ainda era o campeão mundial de xadrez,  eu era o Everest e Deep Blue conseguiu escalar-me. Bom, sendo mais específico, não foi Deep Blue que conseguiu essa façanha, mas seus criadores humanos. Anantharaman, Campbell, Hoane, Hsu. Palmas, senhores! Como sempre, a vitória de uma máquina é o sucesso de um ser humano. Isso é algo que nós tendemos a esquecer quando os seres humanos são ultrapassados por suas próprias criações.

 

 

 

 

Elas sabem calcular. Nós temos o conhecimento. Máquinas recebem instruções. Nós temos metas. As máquinas são objetivas. Nós temos a paixão. Nós não deveríamos nos preocupar com tudo o que as máquinas as sabem fazer hoje. Em vez disso, deveríamos nos perguntar quais são as coisas elas ainda não sabem fazer, pois temos de ajudá-las a aprender. As máquinas inteligentes servem para converter em realidade nossos maiores sonhos. E se não conseguimos, se fracassamos, não é porque nossas máquinas sejam demasiadamente inteligentes, mas, sim, porque ainda não são suficientemente inteligentes. Se falhamos é porque nos contentamos com o que já existe e limitamos nossas ambições. A humanidade não se determina por nenhum tipo de talento como usar um martelo ou jogar xadrez.

 

A palestra pode ser vista, na íntegra, clicando aqui – e com legendas em português. Bom divertimento!

 

Existe uma coisa que apenas as pessoas sabem fazer.

E isso é sonhar.

Sendo assim, que tenhamos grandes sonhos!

 

 

FONTES

ChessBase

TED

 

 

Escrito por Equipe Academia de Xadrez Rafael Leitão 25-06-2017

 

 


 

 

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2 Respostas a “Kasparov: Não Tema As Máquinas Inteligentes, Trabalhe Com Elas!”

  • Jeferson Albuquerque

    Nossa Kasparov não é um gênio só do xadrez fora do tabuleiro ele é genial também.

  • Bruno

    Muito legal a palestra do Kasparov. As máquinas superaram o ser humano no xadrez, mas isso não é importante porque foram os seres humanos que construíram as máquinas. Ele tinha um alto nível tático e muito preparo, só que o banco de dados do Cpu e a frieza são invencíveis.

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