O Meu Heptacampeonato Brasileiro Absoluto de Xadrez

O 81º Campeonato Brasileiro Absoluto de Xadrez aconteceu entre os dias 17 e 25 de janeiro de 2015, em João Pessoa, na Paraíba, pelo segundo ano consecutivo.
Sem sombra de dúvidas, este foi o torneio das peças negras. Já na primeira rodada, das 6 partidas, 5 foram vencidas pelas pretas e apenas uma terminou em empate. Ao final das 11 rodadas, foram 20 vitórias de brancas contra 23 de negras
Uma grande novidade do evento estava fora dos tabuleiros, foi a transmissão ao vivo via internet das partidas, com comentários do GM Darcy Lima. Ainda que sem os tabuleiros em DGT e com pequenas dificuldades técnicas comuns para uma primeira experiência, é inegável ter sido esta uma iniciativa louvável da CBX, que espera-se tenha vindo para ficar definitivamente em torneios oficiais.
Dentro dos tabuleiros, o campeonato foi cheio de emoções, a começar pelo início de torneio do GM Krikor Mekhitarian que perdeu suas 2 primeiras partidas, de brancas contra o GM Felipe El Debs e de negras contra o MI Máximo Macedo. Mas o GM logo conseguiu sua recuperação, ganhando 4 partidas na sequência.
Macedo, Máximo 1 – 0 Mekhitarian, Krikor
Já o GM Felipe El Debs teve um início de torneio com curiosos resultados. Depois de vencer o GM Krikor Mekhitarian de negras, arrancou dois empates de posições inferiores, de brancas contra o MF Paulo Jatobá e de negras contra o MF Mateus Nakajo. Na quarta rodada, ganhou do enxadrista Mário Fiaes em uma posição igualada.
Depois da derrota para mim na sétima rodada, a sorte voltou a sorrir para El Debs e, com dois peões a menos, viu o MF César Umetsubo desperdiçar não apenas a vitória, como até mesmo o empate. A vitória levou Felipe de volta ao páreo na luta pelo título, somando 6/8, à frente do Krikor, que tinha 5,5/8.
Mas àquela altura eu completava 7,5/8 e seria difícil que qualquer deles me alcançasse. Administrei bem o restante do torneio, jogando para ganhar sem arriscar muito e conseguindo o título ao final da décima rodada.
Para quem está interessado em todos os detalhes técnicos de cada uma das minhas partidas, faço, a seguir, um pequeno resumo dos meus resultados rodada a rodada. O link para as partidas se encontra no final do artigo.
A primeira vitória veio de pretas contra o MF Paulo Jatobá, em uma Nimzoíndia. Joguei a abertura de forma imprecisa, mas prática, gastando pouco tempo nas minhas jogadas. Meu adversário não aproveitou a chance e a posição ficou igualada, mas aproveitei seu apuro de tempo para conseguir uma importante vitória.
Jatobá, Paulo 0 – 1 Leitão, Rafael
Na segunda rodada, venci de brancas o MF Mateus Nakajo, em uma Anti-Eslava. Saí com uma cômoda vantagem da abertura, em uma posição sem qualquer risco de derrota. Mateus escapou dos maiores perigos, mas acho que deveria ter trocado as damas quando teve a chance. Ao final consegui quebrar sua defesa avançando minha maioria de peões no flanco dama.
Leitão, Rafael 1 – 0 Nakajo, Mateus
Na terceira partida, ganhei de negras do enxadrista Mário Fiaes, em uma Índia da Dama. Consegui grande vantagem logo na abertura e consegui convertê-la, não sem algumas aventuras no caminho.
Fiaes, Mário 0 1 Leitão, Rafael
Já no quarto confronto, subestimei o contrajogo do meu adversário e cedi o empate de brancas ao MF Edgar Rodrigues, em uma Benoni. Meu adversário sacrificou um peão na abertura, mas consegui refutar seu sistema, adquirindo uma posição vencedora. Infelizmente joguei sem a profilaxia necessária e a partida terminou em empate por xeque perpétuo.
Leitão, Rafael 1/5 – 1/5 Rodrigues, Edgar
O reencontro com a vitória veio na 5ª rodada, de pretas contra o paraibano Francisco Cavalcanti, jogando uma Bogoíndia. Surpreendentemente, consegui uma posição ganhadora logo na abertura, mesmo a posição branca sendo bastante sólida. Na partida seguinte, dobrei pretas contra o MF César Umetsubo, conseguindo uma importantíssima vitória em um Alapin. Igualei sem problemas na abertura e depois consegui uma leve vantagem em um final técnico. Considero esta minha segunda melhor partida em todo o evento.
Cavalcanti, Francisco 0 – 1 Leitão, Rafael
Umetsubo, César 0 – 1 Leitão, Rafael
A 7ª rodada foi decisiva para o torneio, pois no confronto direto entre os dois primeiros colocados até então, eu ganhei de brancas do GM Felipe El Debs, jogando mais uma Anti-Eslava. Felipe errou ao tentar quebrar o centro branco e eu consegui explorar as fraquezas ao redor do seu rei para criar um ataque decisivo.
Leitão, Rafael 1 – 0 El Debs, Felipe
O 8º confronto também foi de grande relevância para manter a distância de 1,5 pontos dos demais jogadores. Venci de pretas o perigoso MF Máximo Macedo, em um final de bispos de cores opostas. A partida teve um apuro de tempo dramático e chegou a ficar empatada. Foram dois decisivos pontos em dia de rodada dupla.
Macedo, Máximo 0 – 1 Leitão, Rafael
Na 9ª partida, uma combinação de resultados me daria o título com 2 rodadas de antecedência. Eu ganhei de brancas do MF Roberto Andrade e o GM Krikor Mekhitarian empatou com o MF Edgar Rodrigues, o que tirou Krikor da disputa. No entanto, como disse o GM Darcy Lima, o Felipe El Debs “gastou a 5ª vida”, vencendo uma dramática partida contra o MI Máximo Macedo e mantendo-se na briga.
Leitão, Rafael 1 – 0 Andrade, Roberto
A partir daí, a conquista do campeonato só dependia dos meus próprios resultados e eu não desperdicei a chance. Na penúltima partida, empatei de pretas com o MF Luismar Brito e assim matematicamente garantia o sétimo título da minha carreira.
Brito, Luismar 1/5 – 1/5 Leitão, Rafael
Na última rodada, um dos confrontos mais esperado pelos enxadristas, encarei de brancas o GM Krikor Mekhitarian e o resultado foi empate, em uma Defesa Grunfeld. Lamento apenas não ter aproveitado a chance de ouro que apareceu em um determinado momento, quando conseguiria posição praticamente ganha.
Leitão, Rafael 1/5 – 1/5 Mekhitarian, Krikor
Na classificação final do torneio, o GM Felipe El Debs ficou em segundo lugar e o GM Krikor Mekhitarian ficou com a terceira colocação.
Quem também teve motivos para comemorar foi o MF Mateus Nakajo, que na última rodada enfrentou o MF Edgar Rodrigues, ambos até então com 6 pontos e dependendo da vitória para fazer norma de MI. Quem levou a melhor no confronto foi Nakajo, em uma Defesa Francesa. Edgar sacrificou um peão logo na abertura, tentando forçar os acontecimentos, mas como foi demonstrado por Kasparov em sua clássica partida final contra Karpov, no match disputado em 1987, quando precisava da vitória para manter a coroa, a melhor forma de jogar para ganhar de um forte adversário é conservar uma luta tensa e evitar simplificações, sem “forçar a barra”.
O torneio foi marcado por uma acirrada competitividade, partidas muito interessantes, erros que mostram aos enxadristas do Brasil inteiro que os atletas profissionais também cometem falhas e que ninguém é infalível. Para mim ficou claro, também, como é importante gastar o tempo de forma inteligente, pois às vezes pensamos demais em decisões que não são tão importantes, perdendo minutos preciosos para as decisões cruciais. Certamente detectar os momentos críticos de uma partida é uma das habilidades mais importantes para um enxadrista!
Agradeço a todos que torceram por mim e prometo lutar para quebrar o recorde de títulos nacionais nos próximos anos!Para ver o link com todas as minhas partidas, clique aqui!

 

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0 Respostas a “O Meu Heptacampeonato Brasileiro Absoluto de Xadrez”

  • Anônimo

    Sim,mestre, o Sr. foi muito bem.Parabéns !Ivan Tadeu - PUC-SP

  • Joailson Engraçado

    Parabéns Você merece,te admiro de mais cara,fantástico,mesmo não o conhecendo! mas ainda vou ter a oportunidade de te conhecer !

  • Shop music marketing

    Demais!

  • Bsmbrasil

    sensacional!

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