Brasil é o 19º em Número de Enxadristas do Sexo Feminino

David Smerdon é um Grande Mestre australiano com Doutorado em Economia. Nos últimos dias, publicou um estudo minucioso sobre a participação feminina em torneios de xadrez. A pesquisa considerou os dados (alguns deles coletados pelo criador do Chessmetrics, Jeff Sonas) de 85 países durante o período entre 1999 e 2015, e também levou em conta uma mostra recente de novembro de 2018. Confira as principais conclusões:

 

Brasil Ficou em Décimo Nono no Ranking

 

De acordo com o estudo, o Brasil ocupa a 19ª colocação entre os países com mais enxadristas do sexo feminino. O ranking contabiliza o total de jogadores no país e a representatividade proporcional do xadrez feminino em cada região. Nesse contexto, as mulheres representam entre 15% e 20% do total de enxadristas no Brasil.

 

MF Juliana Terao, 28 anos, e WMI Kathiê Librelato, 21, são as duas enxadristas brasileiras melhores colocadas no ranking internacional

Xadrez Feminino é Mais Popular na Ásia

Vietnã, Emirados Árabes Unidos e Sri Lanka foram os destaques da pesquisa. No Vietnã, entre 35% e 40% dos enxadristas são do sexo feminino. Já nos Emirados Árabes e no Sri Lanka a proporção variou de 30% a 35%. De todo modo, apenas nesses três países a representatividade do xadrez feminino superou os 30%. Vale ressaltar que, dos dez países onde a popularidade do xadrez feminino é proporcionalmente maior, seis estão no Continente Asiático: China, Coréia do Sul, Malásia, Indonésia, além dos já mencionados Vietnã e Sri Lanka.

Asiáticas dominam o xadrez internacional. Chinesa Ju Wenjun é a atual campeã mundial

 

Igualdade de Gênero x Mulheres no Xadrez

O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas divulgou o ranking anual da igualdade de gênero no mundo. Entre os 85 países considerados por Smerdon, onde o xadrez tem maior popularidade, o Brasil ocupa a 67ª colocação. Curiosamente, em países onde a igualdade entre homens e mulheres é maior, as mulheres jogam menos xadrez.

A Dinamarca, por exemplo, é o segundo país com a maior taxa de igualdade de gênero do planeta. No entanto, menos de 5% dos enxadristas locais são do sexo feminino. Suíça, Holanda, Suécia e Noruega são outros bons exemplos. Nesses países a igualdade de gênero fica próxima dos 80%, porém, a quantidade de mulheres que jogam xadrez é inferior a 10% do total de jogadores.

 

A Idade das Enxadristas

Entre os países com as maiores taxas de participação feminina, o xadrez atinge o pico entre as meninas na faixa dos dez anos de idade. No entanto, elas se afastam progressivamente do xadrez durante a adolescência e a representatividade do xadrez feminino cai drasticamente na fase adulta.  

Meninas começam a jogar na infância, mas desistem quando se tornam adultas

 

Ranking de Popularidade do Xadrez Feminino – Top 20

País% mulheres do total de enxadristas
1Vietnã35 – 40
2Emirados Árabes30 – 35
3Sri Lanka 30 – 35
4China 25 – 30
5Geórgia25 – 30
6Coréia do Sul 25 – 30
7Equador25 – 30
8Indonésia 20 – 25
9México20 – 25
10Malásia20 – 25
11Azerbaijão20 – 25
12Quênia15 – 20
13Grécia15 – 20
14Estônia15 – 20
15Colômbia15 – 20
16Lituânia15 – 20
17Argélia15 – 20
18África do Sul15 – 20
19Brasil15 – 20
20Cazaquistão15 – 20

 

O que precisa ser feito para que o xadrez feminino seja mais popular? Deixe sua opinião nos comentários.

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*Texto escrito pelo MF William Cruz e editado pelo GM Rafael Leitão

 

2 Respostas a “Brasil é o 19º em Número de Enxadristas do Sexo Feminino”

  • Felipe

    Antes de mais nada, tem que melhorar as condições das mulheres em competição, depois eu acredito que tem de haver um incentivo maior em relação a treinamento( talvez com projetos de iniciativas para a aplicação específica no xadrez feminino), o problema do xadrez do xadrez feminino no Brasil é que talvez seja uma das poucas modalidades esportivas no Brasil que não tem um tratamento diferenciado para o público feminino, levando em conta que em outras modalidades tem técnicos e profissionais exclusivos para o público feminino.

  • Angela

    O recado é muito claro: o Xadrez não é lugar de mulher. As que se aventurarem nele não serão tão respeitadas quanto os homens, a quem verdadeiramente pertence esse mundo. Desafio, conquista, testar os limites é trabalho para homem.

    Como em todas as áreas das quais tenho notícia, a resistência em todos os esportes também está crescendo. Na verdade é um contra-ataque em busca de virar um jogo que passou tempo demais sob regras injustas, regulamentos feito por homens para os homens.
    Nós mulheres, incomodamos mesmo. No esporte, no trabalho, dentro de casa, na rua, onde mais estivermos. Vamos continuar incomodando quem precisa ser incomodado. No nosso caso a CBX e Federações de cada estado, porque já passou da hora de adequar os regulamentos, onde as mulheres sejam respeitadas, valorizadas e que o trabalho delas não seja tratado como uma categoria inferior. Parece bobagem, mas representatividade importa, quanto menos mulheres praticarem o xadrez de alto rendimento, menos as meninas se sentiram estimuladas a praticá-lo. Acho que essa é pelo menos parte da resposta pelo qual motivo as meninas deixam de jogar logo depois da adolescência, pois não vislumbram um futuro, nem reconhecimento, muito menos retorno financeiro.

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