Por Que Estudar os Clássicos É Tão Importante?

“Gens Una Sumus” é o lema da Federação Internacional de Xadrez (FIDE). Escrito em latim, transmite o sentimento de que todos os enxadristas fazem parte de uma única família. Qual é árvore genealógica da família xadrez? 

 

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Os campeões mundiais representam a essência da evolução do xadrez. Através das partidas desses jogadores é possível identificar o nível de compreensão do jogo em determinada época. Portanto, basta dar uns cliques na internet e visualizar a lista de campeões mundiais para encontrar a árvore genealógica enxadrística perfeita.

 

O Segredo dos Campeões

Como diria Edmund Burke (1729-1797), “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. Este princípio básico da vida também tem conexão com o xadrez. É quase impossível ser um bom enxadrista sem conhecer o legado deixado pelos antepassados. 

O que Wilhelm Steinitz fez para se tornar o primeiro campeão mundial oficial em 1886? Estudou as principais partidas de Philidor, La Bourdonnais, Staunton, Anderssen e Morphy. Ou seja, primeiro aprendeu com os predecessores para depois colocar novas discussões em pauta.

E o que fez Emanuel Lasker para se tornar o segundo campeão mundial oficial em 1894? Estudou as principais partidas de Philidor, La Bourdonnais, Staunton, Anderssen, Morphy e… Steinitz!  José Raúl Capablanca fez o mesmo, estudou todos os mencionados com a inclusão de Lasker. Assim a evolução enxadrística percorreu os séculos até chegar ao atual campeão mundial, Magnus Carlsen.

Isso acontece porque estudar as partidas dos campeões mundiais é a melhor forma de melhorar o jogo posicional e se familiarizar com o desenvolvimento da estratégia no xadrez. Quem analisa essas partidas compreende os planos típicos desenvolvidos e os temas táticos demonstrados pelos melhores enxadristas da história.

 

Campeões Mundiais de Xadrez

 

Conhecer os clássicos é fundamental para a evolução. Na foto: Morphy, Steinitz, Lasker, Capablanca, Alekhine e Euwe

 

Cultura Enxadrística

Certo dia, no salão de jogos de um Aberto do Brasil, o Grande Mestre arrumou as peças e deixou o tabuleiro após mais uma vitória. Seu adversário, um jovem com talento e aspiração para se tornar um GM, rapidamente saiu do local em busca de respostas sobre o que o havia levado a derrota.

Enquanto tomava um copo de água, ainda no salão de jogos, o Grande Mestre foi surpreendido por um espectador:

        – Com licença Mestre, o que você achou do jogo do Marcos?

       – Ele está melhorando, mais ainda lhe falta “cultura enxadrística”. 

Marcos pode até calcular razoavelmente, ter um repertório de aberturas definido, mas ele ainda carece de um entendimento estratégico superior. “Cultura enxadrística” foi o termo utilizado pelo Grande Mestre para se referir ao estudo dos clássicos.

Para suprir a ausência, Marcos deve consultar a lista dos campeões mundiais e verificar se ele conhece ao menos umas três partidas de cada campeão. São mais de vinte jogadores e é normal que alguns tenham ficado de lado. Pela resposta do Grande Mestre, é bem possível que Marcos não tenha visto partidas da maioria dos campeões. 

O trabalho então consiste em selecionar e analisar tais jogos. É claro que três partidas por campeão pode ser pouco, mas já é um começo pra quem está início do processo. 

 

Você conhece as principais partidas de todos os campeões mundiais? Conte sua história nos comentários.

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Texto escrito pelo MF William Cruz.

One Reply to “Por Que Estudar os Clássicos É Tão Importante?”

  • Romulo

    Olá! Ainda não conheço. Aprendi sobre o jogo há 2 meses, mas atualmente só penso em xadrez. Em breve conhecerei. Forte abraço

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