Nova York 1927: Capablanca 2700 e uma das Maiores Atuações da História do Xadrez

O torneio de Nova York de 1927 marcou a história do xadrez. O então campeão mundial, José Raúl Capablanca, entrou para a história com uma atuação impecável. Em entrevista recente para o “The Perpetual Chess Podcast”, o MI Kenneth Regan, professor de Ciência da Computação e analista de trapaças em torneios, afirmou ter colocado as partidas deste torneio no algoritmo que desenvolveu para identificar suspeitos de trapaças, e o resultado foi impressionante.

“Capablanca era muito preciso e por isso era considerado uma máquina invencível. A precisão do seu jogo, em especial no Torneio de Nova York de 1927, foi de aproximadamente 2700 pontos de rating. Esse nível não foi visto novamente até Spassky x Fischer (1972)”. Conheça todos os detalhes dessa incrível história. 

 

Pré-Torneio

 

O Imbatível Capablanca

O cubano José Raúl Capablanca tornou-se campeão mundial de xadrez em 1921, após derrotar Emanuel Lasker por 9×5, com quatro vitórias e dez empates. Invicto desde fevereiro de 1916, o então campeão mundial manteve a invencibilidade até março de 1924. Nesse período, o enxadrista disputou 63 partidas oficiais. 

Capablanca derrotou Lasker em 1921

 

Derrotas Inesperadas

A derrota de 1924 somou-se a mais duas derrotas em 1925, resultados que foram difíceis de digerir. No Torneio de Nova York de 1924, Capablanca perdeu para Richard Reti e terminou com o vice-campeonato, atrás de Emanuel Lasker. No ano seguinte, em Moscou, Capablanca teve derrotas inesperadas para Verlinsky e Ilyin-Zheneysky, o que lhe deixou na terceira colocação, atrás de Lasker e Efim Bogoljubov.

 

Campeão em Xeque

Quando chegou o Torneio de Nova York, entre fevereiro e março de 1927, a reputação do enxadrista cubano estava em xeque devido aos “fracassos” de 1924 e 1925. Quanto à disputa, a ideia inicial era dar ao campeão (ou ao segundo colocado, caso Capablanca fosse o primeiro) o direito de desafiar Capablanca pelo Campeonato Mundial. No entanto, segundo Kasparov, “Capablanca e Alekhine já tinham acordado um match pelo título e a cláusula foi retirada”. 

 

O Torneio

 

Fórmula de Disputa e Premiação

Além de Capablanca, participaram: Alekhine, Nimzowitsch, Vidmar, Spielmann e Marshall. Efim Bogoljubov rejeitou a participação, pois acreditava que, com o título em Moscou, deveria ser o próximo desafiante de Capablanca pelo Campeonato Mundial. Os seis participantes se enfrentaram quatro vezes num total de 20 rodadas. O campeão faturou 2 mil dólares, o vice 1,5 mil e 1 mil para o terceiro. 

 

Capablanca Absoluto 

O campeão mundial rebateu os críticos e teve uma das melhores atuações da carreira. Em Nova York 1927, Capablanca voltaou a terminar um torneio invicto. Desta vez foram oito vitórias e doze empates. E, talvez o fato mais importante, Capablanca venceu todos os duelos individuais: 2,5 x 1,5 contra Alekhine, Vidmar e Spielmann, 3×1 em Nimzowitsch e 3,5 x 0,5 em Marshall.

A classificação final ficou da seguinte forma: 1-Capablanca 14/20, 2-Alekhine 11.5, 3-Nimzowitsch 10.5, 4-Vidmar 10, 5-Spielmann 8 e 6-Marshall 6. 

 

 Pós-Torneio

 

Confiança Exagerada

Sem dúvida Nova York 1927 serviu para restaurar o prestígio do então campeão mundial. No entanto, também fez Capablanca acreditar que permaneceria no trono durante muito tempo, sem perceber a real ameaça que o cercava. Quase todos os críticos acreditavam numa vitória tranquila do cubano no match com Alekhine, realizado entre setembro e dezembro de 1927. Alekhine, porém, superou Capablanca com seis vitórias, três derrotas e 25 empates.

Alekhine e Capablanca em 1913

 

Qual é a classificação de Capablanca em uma lista com os melhores enxadristas de todos os tempos? Deixe sua opinião nos comentários. 

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Referências Bibliográficas: 

Meus Grandes Predecessores, volume 1, Garry Kasparov.

Texto escrito pelo MF William Ferreira da Cruz.

One Reply to “Nova York 1927: Capablanca 2700 e uma das Maiores Atuações da História do Xadrez”

  • Job

    Difícil precisar a posição exata, talvez até n°1 se o critério for o talento natural para achar os bons lances, mas poucos discordariam que qualquer lista de “10 maiores” tem que ter o Capablanca - fica ao gosto de cada um se é em 1° ou em 10°, mas tem que estar na lista!

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