Os Grandes Jogadores de Xadrez: Capablanca

A história do xadrez é repleta de grandes talentos, rivalidades acirradas e partidas memoráveis. Em meio a tantas mentes brilhantes, atingir conquistas expressivas, construir uma carreira sólida e chegar ao patamar de lenda do esporte são tarefas extremamente desafiadoras, reservadas para os maiores gênios do xadrez. José Raúl Capablanca, cubano nascido em Havana no ano de 1888, atingiu essas realizações com louvor e gravou seu nome na história com seu estilo único e inconfundível.

Você conhece as razões que fizeram de Capablanca um dos mais admirados enxadristas da história? Confira a seguir alguns dos motivos que o levaram a tamanho reconhecimento no xadrez!

 

Talento precoce

Habituado a observar as partidas jogadas em casa por seu pai desde os primeiros anos de sua infância, Capablanca assimilou com extrema facilidade as regras e a dinâmica do xadrez. Aos quatro anos, durante uma dessas partidas, apontou um movimento errado feito por seu pai, que o desafiou para um confronto. Capablanca venceu duas vezes seguidas, impressionando seu pai e demonstrando enorme potencial. Aos oito anos começou a frequentar o Clube de Xadrez de Havana, tendo aprimorado bastante suas técnicas durante o tempo que passou no mais importante clube de Cuba.

Em 1901, com apenas treze anos de idade, o jovem enxadrista foi capaz de vencer um match contra o então campeão cubano, Juan Corzo, provando que havia chegado para marcar seu nome na história e, em breve, se tornaria um dos maiores prodígios da história do xadrez. Motivado por esse feito, participou do Torneio Nacional no ano seguinte. Seu desempenho nessa competição, no entanto, foi bastante frustrante e Capablanca obteve apenas o quarto lugar entre seis competidores.

 

Primeiras conquistas internacionais

Ao completar dezessete anos, Capablanca se mudou para os Estados Unidos para estudar engenharia na renomada Universidade de Columbia. Ali sua inteligência e raciocínio rápido ficaram ainda mais evidentes. O estudante cubano chegou inclusive a despertar suspeitas entre os professores da universidade, devido à precisão e à velocidade de suas respostas nos testes de cálculo.

Naquele mesmo ano, ele visitou o Clube de Xadrez de Manhattan para participar de uma sessão de exibição promovida pelo campeão mundial da época, o prestigiado enxadrista alemão Emanuel Lasker. Acostumado a façanhas memoráveis, o cubano foi o único entre todos os participantes a vencer o jogo poderoso do alemão.

Capablanca atraía para si cada vez mais notoriedade e, em 1908, decidiu por fim abandonar os estudos e se dedicar inteiramente ao xadrez. Entre o final daquele ano e o início de 1909, viajou pelos Estados Unidos a fim de enfrentar diversos adversários. Os números alcançados por Capablanca nessa turnê foram incríveis: 703 vitórias, 19 empates e apenas 12 derrotas em 734 partidas disputadas.

Essa sequência de resultados positivos deu a Capablanca a oportunidade de realizar um match de exibição contra Frank Marshall, campeão de xadrez dos Estados Unidos e dono de um jogo que o havia credenciado a disputar o título mundial dois anos antes. Ao vencer Marshall, o gênio de Havana recebeu, em 1911, um convite para o importante Torneio Internacional de Mestres de San Sebastian, na Espanha, no qual sagrou-se campeão ao superar todos os jogadores mais fortes da época presentes no torneio, com exceção de Emanuel Lasker, que não participou da competição. Capablanca desafiou o alemão inúmeras vezes para que disputasse o título mundial, mas Lasker, temendo perder seu posto de número um do mundo, conseguiu de todas as formas evitar o combate, até que a Primeira Guerra Mundial suspendeu as atividades internacionais de xadrez indefinidamente.

 

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O título mundial

Com o fim da guerra, o clamor popular por uma disputa entre Capablanca e Lasker aumentava a cada dia, e, assim, o Clube de Xadrez de Havana organizou a tão esperada competição entre os enxadristas nos meses de março e abril de 1921. Jogando de forma surpreendentemente apática, Lasker não foi capaz de vencer nem mesmo uma partida sequer, perdendo o título para Capablanca após 4 vitórias do cubano e 10 empates. José Raúl Capablanca entrava, enfim, para o seleto grupo de campeões mundiais de xadrez.

Entre 1916 e 1924, se manteve invicto e disputou torneios e simultâneas ao redor do mundo, sempre obtendo porcentagens altíssimas de vitórias.

Contudo, em 1927, desafiado por Alexander Alekhine para uma disputa pelo título, Capablanca foi traído por seu excesso de confiança e não se preparou física e mentalmente de forma adequada. Esse descuido em um momento tão importante, além do inegável talento de Alekhine, causou a derrota de Capablanca e decretou o fim da hegemonia do cubano no cenário internacional. A vitória de Alekhine surpreendeu o mundo e este match é até hoje considerado um dos melhores da história.

 

Os últimos anos

Após a perda do título mundial, Capablanca se dedicou ativamente a disputar e vencer campeonatos a fim de conseguir uma revanche contra Alekhine, seu arquirrival histórico, fato que nunca se realizou. Diz-se que tal decepção foi o que o levou a abandonar o xadrez profissional em 1931. Entretanto, em 1936, motivado por sua segunda esposa, reacendeu sua ambição e voltou às disputas, tendo a partir de então iniciado um período de grande oscilação na qualidade de seu jogo.

Seu desempenho, apesar de brilhante em alguns momentos, apresentava algumas falhas incomuns em sua carreira, e dessa forma Capablanca viveu seus últimos anos no xadrez, disputando alguns torneios em alto nível e jogando de forma inconsistente em outros. Seu prestígio, contudo, se manteve inabalado e assim permanece até os dias de hoje.

Capablanca faleceu em 1942, aos 54 anos, após sofrer um mal súbito no Clube de Xadrez de Manhattan, causado por seus crônicos problemas de pressão.

 

Estilo e legado

Capablanca foi uma unamidade, tendo recebido sonoros elogios dos maiores campeões de sua época e conquistado o respeito e a admiração de todos eles. Dono de um estilo que prezava pela simplicidade e de efeito visual extremamente agradável, o cubano tinha qualidade excepcional em seu jogo posicional, tendo também mostrado ao mundo alguns dos finais mais belos da história.

Notadamente vaidoso e sensível a críticas, mais de uma vez se mostrou irritado e ofendido ao ser questionado sobre decisões tomadas durante suas partidas. Seu estilo arrebatou fãs em todo o mundo, e sua habilidade interpessoal ajudou na construção de sua popularidade internacional.

Além de toda a beleza e magnitude dos momentos que protagonizava nos confrontos que disputava, o legado deixado por Capablanca inclui ainda quatro livros, entre eles o cultuado “Os Fundamentos do Xadrez”, considerado um dos livros mais importantes da história do esporte.

Capablanca eternizou seu nome na história do xadrez como sinônimo de talento e brilhantismo. Suas partidas marcantes e sua personalidade singular fazem dele figura obrigatória em qualquer lista de maiores enxadristas de todos os tempos. Ainda hoje, mais de setenta anos após sua morte, é reverenciado e admirado nos quatro cantos do mundo, e seu legado serve como estímulo para iniciantes e como parâmetro de excelência para os profissionais.

Gostou de saber um pouco mais da história desse gênio do xadrez? Aproveite e conheça a trajetória de outro grande talento do xadrez, o russo Mikhail Tal.

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[A Carta de Capablanca]

One Reply to “Os Grandes Jogadores de Xadrez: Capablanca”

  • Bruno

    O Match entre Capablanca e Lasker foi muito bom. O cubano jogava qualquer abertura como se vê nos livros, seu meio-jogo se caracterizava pelas combinações e o final de seus jogos se baseava em acumular pequenas vantagens de modo que irritava o adversário. Foi um ícone do xadrez, perdia apenas 1 vez a cada 20 jogos disputados.

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