Aronian é o Campeão da Copa do Mundo de Xadrez 2017

Aronian é o Campeão da Copa do Mundo de Xadrez 2017

Acabou. E a essa altura do campeonato, sem medo de dar nenhum spoiler, todo mundo já sabe que o GM armênio Levon Aronian foi o grande campeão da Copa do Mundo de Xadrez 2017. Aliás, esta não foi nenhuma surpresa para a equipe de Redação aqui d´Academia. Não acredita? Pois veja só:

 

  1. Em nossa reportagem especial pré-Copa fizemos um rápido comentário sobre as estrelas do Torneio. E de todos os tops, inclusive o campeão mundial Magnus Carlsen, adivinha quem teve a foto estampada na capa da reportagem? Vamos aos fatos: “Mas vale ressaltar a grande fase de Aronian, que ontem venceu o Grand Chess Tour de San Louis e já é dos Top GMs o maior ganhador de títulos deste ano. Se em 1967 o dinamarquês Bent Larsen recebeu o primeiro Oscar enxadrístico, devido ao seu incrível desempenho naquele ano, Aronian, caso vença esta Copa, sem dúvida nenhuma, mereceria um Oscar também”.

 

“Tragam um Oscar para aquele homem”

 

  1. E, finalmente, na nossa reportagem sobre as semifinais, apesar da retrospectiva de 3×1 para Ding Liren, nós cravamos: “No entanto, a redação da Academia Rafael Leitão acredita no título do armênio”.

 

E nós também!

 

Sem mais delongas: vamos dar uma rápida olhada em como foi esta histórica final entre Aronian e Ding Liren.

 

TEMPO NORMAL: “BOLA PRO MATO…”

 

Mas antes de começarmos a falar da “primeira parte” da final, vale destacar o palco do evento – a sede do hotel Biltmore, no centro da cidade de Tbilisi. Se por dentro o salão era um primor de luxo e grandiosidade, por fora ele é mais esquisito que as aberturas do GM húngaro Richard Rapport.

 

Grandioso…

 

… E exótico.

 

Voltando ao que realmente interessa: difícil imaginarmos um torneio mais exaustivo do que a Copa do Mundo. O desgaste de um mês de xadrez, passando por ritmos diversos e desempates enfartantes, via de regra, costuma apresentar uma final em que ambos os competidores estão com o coração “na ponta da chuteira”. Ou “na ponta dos dedos”. E desta vez não foi diferente.

Não foi incomum algum dos lados conseguir alguma vantagem, ou até uma boa vantagem, mas não conseguir converter. Cores? Vantagem de jogar de brancas? Esqueça: mero detalhe. O melhor ditado para essas horas vem lá dos campos de várzea do interior de São Paulo: “bola pro mato que é final de campeonato”.

E vale esclarecer: o ditado da várzea nada tem a ver com a qualidade dos jogos. Muito pelo contrário – já que as partidas foram de alto nível. A comparação é simplesmente por conta da luta quase instintiva pela sobrevivência (que parece surgir nestes momentos de extrema, e fatigante, pressão) e que acaba se sobressaindo em detrimento da técnica (a bem da verdade o que queríamos mesmo era usar a imagem da “trocação” de socos de último round entre Rocky Balboa e Apollo Creed, mas como já fizemos isso na final da Copa do Mundo anterior, entre Karjakin e Svidler, tivemos que improvisar…).

 

Quê?

 

Voltando MAIS UMA VEZ ao que realmente interessa, se na primeira partida faltou emoção, na segunda, Aronian, de pretas, chegou perto da vitória. Em determinado momento, segundo as insensíveis máquinas, 3,49 pontos de vantagem para Levron. Mas para nós, humanos, demasiadamente humanos, há um longo e sinuoso caminho até o final (inclusive o final de uma variante). Já diria o sábio Morpheu para o jovem Neo: “há uma grande diferença entre saber o caminho e percorrer o caminho”. Portanto, do conforto de nossos lares, e simbioticamente conectados aos nossos stockfishs, komodos ou houdinis da vida, fica fácil. Mas, aí, cuidado… A Matrix engana…

 

“Pílula azul ou vermelha? O que vai ser?”

 

E se a terceira partida repetiu um empate sem grandes emoções como aconteceu na primeira partida, a quarta trouxe a mesma emoção da segunda. E mais uma vez as pretas chegaram perto de vencer com a condução de Aronian. O armênio chegou a ganhar um peão no meio jogo, mas não foi o suficiente frente ao combativo jogo do chinês – que apesar do peão a menos conseguiu colocar diversos problemas práticos para Aronian.

Quatro empates no tempo final. Mais uma Copa do Mundo sendo decidida nos pênaltis, ops, no desempate das rápidas, onde quem erra por último…

 

 [“Cabôôôô!” “Cabôôôô!” “Acabooou!” É tetráááá! É tetráááá! É tetráááá!  – como diria Galvão Bueno, agarrado a Pelé]

 

DESEMPATE: INDISCUTÍVEL

 

E já que falamos em Rocky e Matrix, existe sempre aquela expectativa de um final em que, após diversos golpes para ambos os lados, o protagonista consegue acertar o definitivo golpe (viu por que a imagem do filme Rocky é tão boa?). Mas desta vez, não foi bem assim… Às vezes o final acontece mais ao estilo Chuck Norris mesmo: atropelando tudo e todos. Carnificina.

 

Recentemente o ator Chuck Norris sobreviveu a dois enfartes.

Mas os dois enfartes não sobreviveram a Chuck Norris…

 

Na primeira partida do desempate, jogando com as peças brancas, Aronian foi “com os dois pés no peito” de Ding Liren. O armênio “disparou” suas peças no melhor estilo “Comando de matar” (e não interessa que o filme seja estrelado pelo Arnold Schwarzenegger e não pelo Chuck Norris – o importante é captar a ideia): Tae1-Bb1-Dd3-h4-h5. O que se viu depois foi um bando de cavalos pulando na posição das pretas e um ataque digno de qualquer filme explosivo dos anos 80.

 

 

E na segunda partida a história não foi muito diferente. Precisando ganhar, Ding Liren abriu a “caixa de ferramentas” (14.g4) e deixou muito claro suas – piores – intenções. Mas no meio do fogo cruzado, voando tiros, cavalos, bispos e torres para todo lado – e com direito a ambos os Reis “participando” da bagunça – o contra-jogo de Aronian acabou se sobressaindo. Só pode haver um (e já começamos a misturar todos filmes…)

 

 

FIM DA COPA: O QUE VEM DO QUE FICOU

 

Em considerações finais, importante também ressaltarmos a figura de Ding Liren – que também estará nos candidatos e vem fortalecendo a teoria de que a médio/longo prazo não tardará termos um campeão mundial chinês. O jovem Wei Yi, de 18 anos, e que foi desclassificado por Ding Liren, já é o número 18 do mundo…

 

Na próxima vez… será que o resultado será o mesmo?

 

E nunca é demais frisar: a vitória de Aronian nesta Copa do Mundo veio para coroar o xadrez mais vistoso – e, agora, mais vitorioso – deste ano. Sem sombra de dúvidas, com o título, e a consequente classificação para o Torneio de Candidatos, o armênio assume o posto de favorito para medir forças contra o campeão mundial Magnus Carlsen – embora, antes disso, seja preciso vencer o Candidatos (E como disse Morpheu lá em cima sobre percorrer o caminho…).

Além do mais, ainda que você possa ter alguma divergência pela torcida para Aronian ser o próximo desafiante ao título mundial, uma coisa é indiscutível: dos tops, ninguém é mais fashion do que ele. Numa Copa do Mundo em que tivemos um bermudagate, aprendemos que, às vezes, é possível causar muito mais escândalo sem mostrar nem meia canela:

 

“Que homão da p$%[email protected]*”

 

 

E não é só isso (momento pollyshop): Imagine agora uma calça daquelas com um sapato desse:

 

O estilo pode ser de Chuck Norris, mas o sapato é de Fred Astaire…

 

Perguntado sobre esses sapatos, Aronian explicou que era um presente de Arianne, sua noiva. E completou: “gosto de usar os presentes que ela me dá”. Tá explicado. Aliás, noiva não, esposa. O casamento entre os dois aconteceu EXATAMENTE hoje (30 de Setembro)!

 

Aronian e Arianne: é muito amor…

 

A Academia Rafael Leitão agradece a todos que acompanharam a Copa do Mundo por meio da nossa cobertura e que venha o próximo supertorneio. O campeão? É o xadrez, sempre!

 

 

FONTES

Site Oficial

Chess.com

Chess Base

Escrito por Equipe Academia de Xadrez Rafael Leitão 30.09.2017

 

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