Copa do Mundo 2019: Tudo Sobre a Participação Sul-Americana

A Copa do Mundo de Xadrez 2019 acontece em Khanty-Mansiysk, na Rússia, entre 10 de setembro e 4 de outubro. Realizada a cada dois anos, é disputada por 128 jogadores em formato eliminatório. A primeira edição nesse sistema aconteceu em 1997. 

Inicialmente, o torneio não era chamado de Copa do Mundo. Em realidade tratava-se do próprio Campeonato Mundial da FIDE. Essa situação curiosa produziu alguns campeões mundiais inusitados: Alexander Khalifman (1999), Ruslan Ponomariov (2002) e Rustam Kazimdzhanov (2004).

O torneio passou a ser chamado de Copa do Mundo na edição de 2005. Atualmente, os dois finalistas garantem vaga no Torneio de Candidatos.  

 

Brasil na Copa do Mundo 2019

O Grande Mestre Krikor Mekhitarian foi o único brasileiro na disputa. Krikor teve possibilidades de eliminar o russo Dmitry Andreikin (2743) nas partidas clássicas, porém, a vantagem não se concretizou e nos desempates o russo foi superior. 

 

Comentário do GM Rafael Leitão sobre a atuação do GM Krikor: Precisamos destacar a atuação de Krikor, que jogou de igual pra igual contra um adversário com cerca de 200 pontos a mais de rating. Nosso representante não se intimidou e dominou as partidas no ritmo clássico, deixando passar algumas oportunidades de ganho na primeira partida. Provavelmente a tensão do torneio, aliada ao apuro de tempo, impediram Krikor de arrematar. Mas essa chance não abalou Krikor, que jogou muito bem a segunda partida e empatou sem qualquer problema jogando de pretas. A torcida brasileira sabia que o desempate não seria fácil. Andreikin é um notório especialista nos ritmos rápidos (matches online dele contra o Nakamura estão disponíveis no YouTube e ele jogava de igual pra igual). Krikor teve algumas chances na primeira partida das rápidas, mas Andreikin conseguiu colocar alguns problemas difíceis. Dou aqui os meus parabéns para o Krikor: certamente ele, Fier e Supi (para citar apenas alguns GMs brasileiros) ainda terão várias participações em futuras Copas do Mundo.


 

Essa foi a segunda vez que apenas um enxadrista brasileiro conseguiu se classificar para a Copa do Mundo. A primeira foi na edição inaugural de 1997. Nos anos de 2003, 2005 e 2007, por exemplo, o xadrez brasileiro foi representado por quatro jogadores em cada edição.

Krikor jogou de igual pra igual contra um Grande Mestre de 2743. Foto: Site Oficial

 

Sul-Americanos Sucumbem na Primeira Fase

Além do brasileiro, em 2019, todos os enxadristas sul-americanos foram eliminados na primeira fase. Essa foi a Copa do Mundo com a maior presença de jogadores da América do Sul na história: onze no total, porém, não foi o suficiente para um bom desempenho dos enxadristas da região. 

Sandro Mareco era uma das principais esperanças da América do Sul. Foto: Site Oficial

 

Resultados dos Enxadristas da América do Sul 

Krikor Mekhitarian (BRA) 1,5 x 2,5 Dmitry Andreikin (RUS)

Sandro Mareco (ARG) 1,5 x 2,5 Sanan Sjugirov (RUS)

Alan Pichot (ARG) 0,5 X 1,5 Vidit Gujrathi (IND)

Diego Flores (ARG) 0,5 X 1,5 Gawain Jones (ENG)

José Martinez Alcantara (PER) 0 x 2 Dmitry Jakovenko (RUS)

Jorge Cori (PER) 0x2 Nihal Sarian (IND)

Emílio Cordova (PER) 0,5 x 1,5 Daniil Dubov (RUS)

Alder Escobar Forero (COL) 0x2 Leinier Domínguez (EUA)

Eduardo Iturrizaga (VEN) 0,5 X 1,5 Baskaran Adhiban (IND)

Neuris Delgado (PAR) 1,5 x 2,5 Luke Mc Shane(ENG) 

Cristobal Henriquez (CHI) 0,5 X 1,5 Jan-Krzysztof Duda (POL)

 

Estatística de Desempenho dos Sul-Americanos na História das Copas

A Redação da Academia Rafael Leitão verificou que, nas treze edições da Copa do Mundo, entre 1997 e 2019, a América do Sul conquistou 102 vagas para o torneio com 41 diferentes enxadristas. Em 74% das participações, os enxadristas sul-americanos foram eliminados na primeira fase. Em 20%, a eliminação aconteceu na segunda fase. A eliminação veio na terceira fase em 5% das disputas e apenas os enxadristas Rafael Leitão e Julio Granda chegaram nas oitavas de final. 

Sendo assim, o resultado de 2019 pode ser considerado normal dentro de um ponto de vista histórico e também reflete as administrações das confederações dos países da América do Sul. A ausência de apoio para os principais enxadristas é notória e prejudica os desempenhos nas competições internacionais. 

 

Enxadristas com Mais Participações em Copas do Mundo

Entre os sul-americanos, os brasileiros Rafael Leitão e Gilberto Milos lideram o ranking com oito participações cada. O argentino Diego Flores e o peruano Julio Granda aparecem na sequência com seis participações no evento. 

Ernesto Inarkiev x Rafael Leitão, Copa do Mundo de 2013. Junto com Milos, Leitão é o enxadrista da América do Sul com mais participações em Copas do Mundo

 

Atuações Históricas

 

Leitão em 2000

Uma das maiores atuações da carreira do Rafael aconteceu no Campeonato Mundial de 2000. Na primeira rodada, o brasileiro eliminou o francês Joel Lautier por 1,5 x 0,5. Depois, 1,5 x 0,5 no americano Joel Benjamin. Rafael Leitão também superou o francês Igor Nataf pelo mesmo placar e chegou entre os 16 melhores do mundo sem precisar de desempates. 

A derrota veio nas oitavas de final para o então campeão mundial, Alexander Khalifman, também por 1,5 x 0,5. Em 1999 e 2003, Rafael Leitão também teve uma boa atuação no torneio que hoje é chamado de Copa do Mundo. Em ambas as ocasiões o brasileiro foi eliminado na terceira fase. 

 

Milos no Pódio em 2000

Também no ano de 2000, a FIDE organizou um torneio com 24 jogadores, classificados por rating, e o chamou de Copa do Mundo (realmente, o xadrez estava muito confuso naqueles tempos). Por ser um torneio com um formato diferente, os resultados não entraram nas estatísticas mencionadas no texto. 

De todo modo, o torneio foi fortíssimo e é preciso destacar a atuação do brasileiro Gilberto Milos, que finalizou na terceira colocação. Na primeira fase, Milos dominou o grupo com Azmaiparashvili, Gulko, Dreev, Aleksandrov e Morozevich. Nas quartas de final, vitória por 3×2 contra Movsesian.

A semifinal contra o russo Evgeny Bareev foi dramática. Milos pendurou a dama na partida decisiva dos desempates e acabou eliminado. Viswanathan Anand foi o campeão. Em 2002, a FIDE voltou a organizar este torneio. Giovanni Vescovi foi o representante brasileiro. Vescovi foi eliminado na segunda fase.

GM Gilberto Milos quase disputou uma final de Copa do Mundo

Ainda sobre Gilberto Milos, o enxadrista teve duas boas atuações nos torneios eliminatórios com mais de 100 jogadores. Em 1997 e 1999 Milos chegou na terceira fase. Alexei Shirov foi o algoz em ambas as ocasiões. Como curiosidade, em 1997 Rafael Leitão foi o analista de Milos no torneio. 

 

 Granda Brilhou em 2013 

Julio Granda fez história na Copa do Mundo de 2013. Na rodada inicial, vitória contra o armênio Hrant Melkumyan por 5×4. Depois, 1,5 x 0,5 em Peter Leko e 2,5 x 1,5 contra Anish Giri. Granda figurou entre os 16 melhores da Copa do Mundo e foi eliminado nas oitavas de final: 2×0 para o poderoso Fabiano Caruana. Granda também teve um bom desempenho em 2015, quando caiu na terceira fase para o polonês Radosław Wojtaszek.

Peter Leko x Julio Granda, Copa do Mundo de 2013

 

Uma Dama entre as Feras

Até então, a peruana Deysi Cori Tello é a única mulher da América do Sul a se classificar para a Copa do Mundo. Deysi teve um emparceiramento cruel nas suas duas participações. Em 2013, a enxadrista foi eliminada por Hikaru Nakamura e em 2015 a derrota foi para Vladimir Kramnik, ambas na primeira fase.

Deysi Cori fez história ao participar de duas Copas do Mundo

 

Estatísticas por Países

Nove enxadristas brasileiros disputaram a Copa do Mundo entre 1997 e 2019. No geral, o Brasil ficou com 32% das vagas da América do Sul no respectivo período. Os argentinos ficaram com 29% e os peruanos preencheram 15% das vagas. Venezuela, Chile, Paraguai, Colômbia, Uruguai e Equador também já classificaram enxadristas para a Copa do Mundo. 

 

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Texto Escrito pelo MF William Ferreira da Cruz.

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