Conheça Os Reis Do Empate Nos Últimos Anos

Conheça Os Reis Do Empate Nos Últimos Anos

Conheça os Reis do Empate nos Últimos Anos

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A equipe do Chess.com fez um interessante estudo para decifrar a quantidade de empates entre enxadristas da elite mundial. A pesquisa contabilizou 2.096 partidas entre jogadores com mais de 2750 pontos de rating FIDE, no período de 2008 a 2018. Após detalhada dos dados, chegou-se à conclusão de que, na elite mundial, existe uma tendência crescente na taxa de empate nos últimos 10 anos.

O site também fez uma lista dos enxadristas com mais empates no período.  Para entrar na lista, o jogador precisa ter pelo menos 100 jogos contra oponentes de força 2750+.

 

Os Reis do Empate

1- Ding Liren (China)

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O chinês tem 100 partidas disputadas contra jogadores acima de 2750. Seu percentual de empate é de 80%. No Torneio de Candidatos 2018, Ding Liren empatou 13 das 14 partidas disputadas. Sólido, tem uma das maiores invencibilidades da história do xadrez com 21 vitórias e 79 empates.

 

2- Anish Giri (Holanda)

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Giri registra 78,3% de empates, porém, quase o dobro de partidas na comparação com Ding Liren. O holandês tem 203 atuações contabilizadas. No Torneio de Candidatos de 2016, Anish Giri empatou todas as partidas que disputou.

 

3- Wesley So (Estados Unidos)

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Wesley So teve 162 partidas registradas e um percentual de empate de 73,5%. No Torneio de Candidatos de 2018, So foi o segundo jogador com mais empates na competição, 10 no total.

 

Análise

C:UsersUserDesktoplol (1).jpgTopalov, Kramnik e Ivanchuk, com eles não tem acordo!

 

Curiosamente, os enxadristas com mais empates estão entre os mais jovens da elite mundial, todos por volta dos 25 anos. Por outro lado, os três que menos empataram na última década são veteranos: Topalov, Ivanchuk e Kramnik, todos com mais de 40 anos. Isso sugere que, no auge desses jogadores, o empate entre jogadores da elite era um pouco menos comum do que é atualmente (ou será que falta “olho de tigre” para os jovens?).

A pesquisa levou em consideração o desempenho dos 16 enxadristas que se encaixam nos critérios pré-estabelecidos. Todos tiveram um percentual de empate acima de 54,9%. Até mesmo o campeão mundial, Magnus Carlsen, empata com muita frequência, 66,9% das 375 partidas registradas.

 

Sobre o Aumento no Número de Empates

 

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Contra Karjakin, em pé, Carlsen empatou 10 das 12 partidas pelo Campeonato Mundial. Contra Caruana foram 12 empates!

 

A discussão vem à tona, principalmente, pelo fato do match Carlsen x Caruana ter terminado com 12 empates em 12 partidas clássicas. A redação da Academia Rafael Leitão analisou os últimos quatro Torneios de Candidatos a fim de verificar se houve um aumento no número de empates nessa competição. Os torneios analisados foram disputados por oito jogadores, 14 rodadas, e um total de 56 partidas.

Os resultados foram os seguintes.

Londres 2013 – Carlsen campeão, 55,35% de empates.

Khanty-Mansiysk 2014 – Anand campeão, 60,71% de empates.

Moscou 2016 – Karjakin campeão, 71,42% de empates.

Berlim 2018, Caruana campeão, 64,28% de empates.

Apesar da queda entre 2016 e 2018, é possível afirmar que houve um aumento dos empates no período 2013 – 2018. Porém, se considerarmos os Campeonatos Mundiais de 2005 e 2007, disputados no mesmo sistema (8 jogadores em dois turnos), chega-se à conclusão de que o número empates não sofreu um grande impacto.

Cidade do México 2007 – Anand campeão, 64,28% de empates.

San Luis 2005 – Topalov campeão, 57,14% de empates.

Curiosamente, o resultado do Campeonato Mundial de 2007 foi idêntico ao do Torneio de Candidatos de 2018. Ou seja, pelo menos no mais importante torneio do mundo disputado neste sistema, o número de empates oscilou tanto para cima quanto para baixo entre 2005 e 2018, o que não permite concluir se os enxadristas da elite estão ou não empatando com mais frequência.

Certamente, o Chess.com fez uma análise mais abrangente, levando em conta todos os torneios disputados por esses jogadores que fazem parte do top 15 do mundo. Os Torneios de Candidatos mencionados e os Campeonatos Mundiais de 2005 e 2007 são competições que privilegiam apenas o campeão. Por essa razão, é natural que os enxadristas se arrisquem um pouco mais pela vitória.

 

O aumento dos empates é prejudicial ao xadrez ou isso é um exagero? Deixe sua opinião nos comentários.

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Comments ( 5 )

  • Job

    Tema interessante, vamos debater um pouco então. Os top players de hoje em dia erram pouco. E sem erros, de fato o Xadrez parece ter mesmo uma certa tendência ao empate: quanto melhores os lances do seu oponente, menor a chance de aparecer uma oportunidade no tabuleiro – e se os seus lances também forem bons a posição será equilibrada. O que fazer? Os engines têm mostrado que não são os lances geniais que abrem as vantagens (se o engine aponta +0.00, raramente algum GM consegue propor algo que melhore), mas sim os lances fracos é que criam oportunidades – muitas vezes são oportunidades sutis, e aí sim é preciso um lampejo de genialidade para perceber e aproveitar! E é interessante, porém perigosa, a ideia de optar por escolhas “second best” visando complicar a posição, criar assimetrias e bagunçar o tabuleiro: ok, isso deixa tudo mais concreto, mais tático, transformando a partida em uma guerra de cálculo – o problema é que acima de 2750 isso não diz muita coisa (mas tente engatar uma sequência de 3 ou 4 lances “second best” contra um Carlsen…). Também é verdade que alguns empates são pura preguiça, enquanto outros se justificam pela lógica de um torneio, mas desconfio que a maioria dos empates tem uma explicação bem simples: os super GMs jogam muito bem, só isso.

  • Francisco Federico

    Concordo. O xadrez está cientificamente muito explorado especialmente no tocante às aberturas. Atualmente, no xadrez de alto nível as aberturas têm feito com que se entre num meio-jogo com relativo equilíbrio. Este fato favorece muito o empate. Muitas vezes os primeiros 12 ou 20 lances não são originais, ao contrário, são jogadas teóricas recomendadas pelas análises com apoio de poderosos engines das quais os enxadristas têm profundo conhecimento. Em minha visão acho que dificilmente um jogador irá se atrever a tentar surpreender seu rival com um lance duvidoso, sob o risco de sofrer um contra-ataque e consequente derrota. Não sou expert mas muitas vezes tenho a impressão que até o próprio genial Magnus Carlsen aguarda uma falha do adversário para dar o “bote”. Sua última vitória contra o Mamedyarov me deixou essa forte impressão. Eles vinham mantendo um forte equilíbrio na posição desde a abertura mas depois, por cansaço ou por tentar surpreender o Magnus acabou entrando num final inferior que originou sua derrota.

  • Gustavo Aguiar Rocha da Silva

    Prezado GM Rafael Leitão:

    Gostei muito do artigo mas estranhei a menção a Kramnik como sendo jogador pouco adepto de empatar. Digo isso porque li, acho que em http://www.chessgames.com que “Kramink sofre de uma doença insidiosa, o pendor por empates precoces”. Mas que sei eu? Nada, a não ser que faz um calor infernal nesta que já foi a “Cidade Maravilhosa” e que hoje é a “Cidade Infernalmente Tórrida.” Grande abraço.

  • Luiz romeu

    Concordo com o Gustavo acima…

    Estranhei a mudança de perfil no Kraminik, seu apelido já foi Drawmnik de tanto que ele empatava, realmente com a maturidade ele passou a empatar bem menos, mas também coincidiu com seu período de queda no ranking.

    Quanto aos 3 citados acima, realmente são muito chatos, raramente abro partidas deles, não por causa do final empatado, um jogo pode ser muito interessante e terminar em empate, mas porque são partidas chatas mesmo.

    Acho eu que com o desenvolvimento das engines, o xadrez clássico profundo vai ficando cada vez mais para as máquinas e o xadrez rapido vai ganhar cada vez mais espaço na mídia, até porque é mais, digamos, televisivo, é mais humano, é mais emocionante, é mais fácil de acompanhar, é mais viável, principalmente para praticantes amadores que não dispõe de um dia inteiro para jogar, então vai ter essa aproximação sim. Os puristas não vão gostar, mas certamente se pusessemos uma engine para calcular o futuro do xadrez humano, ela certamente calcularia esse resultado.

  • Flávio Oliveira

    O Número de empates demonstra que estar com Rating alto, ter patrocinio pela posicionamneto nos grandes torneios se tornou um fardo para o Xadrez. Xadrez é um jogo com o objetivo de ganhar. O empate é uma derrota para brancas e uma demonstração de falta de força para negras.
    Cada dia maiso xadrez se auto flagela, se consome na mesmice, as partidas nos torneios estão chatas, sem aventuras, sem grande smanobras, passam a ser fundamentalmente conhecimneto de abertura e chegar a uma posição que ninguem quer arriscar nada. Empatar é a solução de quem não tem coragem de jogar para vencer…. Falta Tal, Kaspariv e outros nesta geração MIMIMI….

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