Trompowsky: a Variante Brasileira do Xadrez

Apesar do nome, a abertura Trompowsky não foi nomeada em homenagem a nenhum enxadrista russo nem eslavo, acredita? Na verdade, ela foi criada pelo campeão brasileiro de xadrez de 1939, Octávio Figueira Trompowsky de Almeida. A seguir, vamos contar um pouco da história desse jogador e explicar como funciona a abertura que leva seu nome. Continue lendo!

 

Quem foi Octávio Trompowsky?

Nascido no Rio de Janeiro em 1897, Trompowsky defendeu o Brasil em duas Olimpíadas, tendo inclusive enfrentado ambos Alekhine e Capablanca nas Olimpíadas de 1939, em Buenos Aires, chegando a empatar com o primeiro. Seu estilo de jogo era inovador e ele buscava fugir das teorias e repertórios tradicionais sempre que possível — daí a criação da abertura Trompowsky.

A variante foi usada pelo enxadrista pela primeira vez no mundial de Munique, em 1936, e hoje faz parte do repertório de vários GMs, incluindo o brasileiro Alexandr Fier, além de já ter sido usada até por Garry Kasparov. O brasileiro também é autor do livro “Partidas de Xadrez”.

 

Como funciona a abertura brasileira?

Agora que você já conheceu um pouco sobre a história de Trompowsky, vamos ao principal: a variante criada por ele, que para quem não sabe também é conhecida como “The Zot” ou “Trompowsky Attack”.

A abertura começa com as brancas movendo o peão de d2 para d4 e as pretas respondendo com o movimento do cavalo de g8 para f6. Em notação enxadrística, as jogadas são lidas assim:

1. d4 Cf6

A próxima jogada, nesse contexto, é a que caracteriza a abertura Trompowsky. Nela, as brancas seguem movendo o bispo de c1 para g5, de modo que a próxima linha seria:

2. Bg5

A intenção dessa segunda jogada das brancas, como você talvez já tenha percebido, é trocar o cavalo do oponente pelo bispo e, em seguida, obrigar as pretas a trabalharem com peões dobrados na coluna “f”.

 

Quais são algumas das possíveis respostas a ela?

Embora as brancas, ao começarem com a abertura Trompowsky, pretendam realizar a troca do bispo pelo cavalo, essa não é, obviamente, a única alternativa que as pretas têm, certo? Para frustrar esse plano das brancas, elas podem agir de diversas outras formas. Veja algumas das possibilidades:

2…Ce4

Essa jogada inverte a influência entre o cavalo e o bispo, tirando o primeiro da linha de fogo do segundo e ainda colocando-o em posição de atacá-lo. Essa é a principal resposta das pretas.

2…e6

Jogada predileta do ex-campeão mundial Anatoly Karpov. Com o peão preto em e6, as pretas evitam ter de trabalhar com peões dobrados, já que a própria dama pode atacar o bispo, caso ele tome o cavalo, além de liberar o bispo de f8 para desenvolver-se. A pequena desvantagem é que, assim, o cavalo preto fica cravado em f6 e as brancas podem responder 3.e4.

2…d5

Essa é uma jogada que garante maior domínio das pretas sobre o centro do tabuleiro, apesar de permitir que as brancas ataquem o cavalo e, com isso, causem os peões dobrados. Mas, depois dessa, as pretas terão liberado diagonais para movimentar seus dois bispos, e aí o princípio da superioridade dos bispos sobre o cavalo pode fazer toda a diferença.

E você, como responderia se o seu adversário iniciasse com a abertura Trompowsky? E o que faria se tivesse começado com ela e o seu oponente respondesse com uma das alternativas acima? Comente aqui embaixo compartilhando a sua opinião e continue de olho no site para mais dicas!

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4 Respostas a “Trompowsky: a Variante Brasileira do Xadrez”

  • Luan Araújo

    Contra a Abertura Trompowsky eu responderia 2-... e6
    Já se eu jogasse ela .... depois de 2-... e6 eu responderia com 3-c4 (o e4 é melhor mesmo mais em várias partidas minhas joguei a Trompowsky e joguei c4 ...
    caso venha um d5 jogaria um Bxf6 pra conseguir a dobra
    E se vier Ce4 jogaria Bf4

    • Joab

      Oi, 4 anos depois rsrs Eu simulei 2...e6 e o stockfish avaliou que após essa jogada das pretas, a posição das brancas seria melhor. E seguindo a linha que vc disse, se as brancas jogassem c4 as pretas conseguiriam um equilíbrio...

  • Rodrigo

    Nao sabia que era brasileira

  • Jaime

    Eu tenho um livro que fala em SISTEMA BRASIL e Variante Rio de Janeiro.

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