Fier e Terao Conquistam o Brasil Mais uma Vez

Campeonato Brasileiro de Xadrez 2019

O GM Alexandr Fier ficou com o título do 86º Campeonato Brasileiro Absoluto, realizado na cidade de Natal, entre 10 e 19 de janeiro.  Já no Rio Janeiro, a MF Juliana Terao faturou o 59º Campeonato Brasileiro Feminino, disputado durante os dias 11 a 18 do mesmo mês. Confira os principais detalhes dos dois torneios:

Fier e Terao no Campeonato Brasileiro 2020 Fier e Terao

 

Fier é Tri e Terao é Hexa!

Esse foi o terceiro título brasileiro de Alexandr Fier. O enxadrista igualou a marca de Darcy Lima, Herman Claudius van Riemsdijk e Orlando Roças Júnior. Rafael Leitão, Jaime Sunye Neto, Giovanni Vescovi e Souza Mendes lideram o ranking de campeões nacionais com sete títulos. Gilberto Milos e Walter Cruz aparecem na sequência com seis conquistas.

No feminino, Juliana Terao conquistou seu sexto título, o quinto consecutivo. Terao se isolou na terceira colocação em número de conquistas. A WMI Regina Ribeiro é a maior campeã brasileira com oito títulos, seguida por Ruth Cardoso, com sete.

 

Nível Técnico

O 86º Campeonato Brasileiro Absoluto foi disputado por dezesseis jogadores em sistema eliminatório. No entanto, dos principais jogadores do Brasil no ranking da FIDE, apenas cinco disputaram a competição. Metade dos participantes possui um rating inferior a 2300 pontos. 

Vale ressaltar que o GM Fier tem todos os méritos e seria um dos favoritos ao título em qualquer circunstância, contudo as ausências de Rafael Leitão, Krikor Mekhitarian, Henrique Mecking, Felipe El Debs, Evandro Barbosa, entre outros, foram sentidas por quem acompanhou o evento.  

Felizmente o mesmo cenário não foi visto no 59º Brasileiro Feminino. Das oito participantes, sete estão entre as melhores enxadristas do país no ranking da FIDE, cinco delas no Top 10. Isso deixa torneio mais interessante e reflete, de fato, a realidade do xadrez feminino no Brasil. 

 

Campanha Dramática de Fier

Na primeira fase, o GM Fier eliminou com tranquilidade o CM Victor Gabriel de Oliveira (2146) por 2×0. Nas quartas de final, Fier teve um duelo difícil contra o então atual campeão brasileiro, MI Roberto Molina (2431). Alexandr Fier perdeu a primeira partida e esteve muito próximo da eliminação, porém, teve a força necessária para vencer o segundo jogo clássico e levar a melhor nos desempates em partidas rápidas.

Muita emoção também na semifinal contra o GM Luis Paulo Supi. As duas partidas clássicas terminaram empatadas, assim como as partidas rápidas e os blitz. Tudo foi decidido no Armagedom. Supi, de brancas, teve um final favorável com rei, torre, cavalo e peão, enquanto Fier – que jogava pelo empate – estava somente com rei e torre. Ao notar sua desvantagem no tempo (no Armagedom não há incremento), Supi cometeu vários equívocos e perdeu a partida.

A grande final foi contra o GM André Diamant. A final é disputada em quatro partidas clássicas. Os dois primeiros confrontos terminaram empatados. Mas Fier se impôs na terceira e na quarta partida para fechar o duelo em 3×1. Uma final relativamente tranquila perto do drama das quartas e, em especial, na semifinal.

 

Fier e Diamant no Campeonato Brasileiro 2020

Diamant x Fier

 

Terao Teve um Caminho Tranquilo Até o Título

Juliana Terao venceu Julia Vieira e a WCM Vanessa Gazola por 2×0 e chegou à final sem muita dificuldade. Na decisão, contra a WMF Julia Alboredo, Terao emplacou outro 2×0, porém a final feminina também é disputada em quatro partidas clássicas. Julia Alboredo reagiu e conseguiu vencer a terceira partida: 2×1. Esse foi o momento de maior pressão para Terao, que reagiu bem e finalizou o match ao vencer o quarto e último duelo: 3×1.

Terao e Alboredo no Campeonato Brasileiro 2020

Terao x Alboredo

 

Classificação Final

 

Absoluto

Campeão: GM Alexandr Fier

Vice-Campeão: GM André Diamant

Semifinais: GM Luis Paulo Supi e GM Darcy Lima

Quartas de final: MI Roberto Molina, MI Maximo Iack Macedo, MF Vinicius Tine Martins, MN Victor Labussiere.

Primeira Fase: MF Luismar Brito, MF Carlos Henrique Lopes Pinto, MN Igor Mourão, MN Vitor Hugo Vieira Ferreira, MN Marcio Jordão Barbosa, MN Vitor Firmo de Souza Rocha, CM Victor Gabriel de Oliveira e CM Luciano de Souza Zallio.

 

Feminino

Campeã: MF Juliana Terao

Vice-Campeã: WMF Julia Alboredo

Semifinais: WMI Kathiê Librelato, WCM Vanessa Gazola

Quartas de final: WMI Regina Ribeiro, Thauane Medeiros, Isabelle Tamarozi e Julia Vieira.

 

A MF Juliana Terao vai bater o recorde de títulos nacionais da WMI Regina Ribeiro? Deixe sua opinião nos comentários.

 

Gostou do artigo? Então compartilhe nas redes sociais.

Fotos: Facebook CBX

Texto escrito pelo MF William Ferreira da Cruz

4 Respostas a “Fier e Terao Conquistam o Brasil Mais uma Vez”

  • Luis Henrique

    Por que houve tantas ausências no masculino?

  • Kenny Guilherme

    Por que existe a divisão entre masculino e feminino no xadrez?

    • Rafael Leitão

      É absoluto e feminino. Mulheres e homens podem disputar o absoluto.

  • Job

    Juliana Terao tem duas possibilidades de recordes em seu horizonte de médio prazo.

    Primeiro, ela acaba de igualar um recorde que perdurava por cinco décadas!

    Ruth Cardoso também foi campeã cinco vezes CONSECUTIVAS, em 1963, 65, 66, 67 e 68 - obs: em 1964 não houve campeonato. Se for campeã na próxima edição, Terao será a recordista isolada.

    E isso também contribuiria para que Terao se aproxime de um outro recorde, o do n° de títulos. Nesse caso ela ficaria a apenas um título da grande Regina Ribeiro, que aliás também acaba de igualar o recorde até então detido exclusivamente por Joara Chaves, de número de participações.

    Júlia Alboredo e Kathiê Librelato são sérias oponentes, assim como Suzana Chang e a própria Regina Ribeiro. Além disso, se Vanessa Feliciano voltar aos tabuleiros haverá mais uma ótima jogadora no páreo. Novos nomes também podem surgir, e qualquer Top10 é sempre uma candidata real ao título.

    Veremos… não será fácil, mas Terao ainda é muito jovem e acho que cedo ou tarde baterá o recorde de Regina Ribeiro. Por tudo isso, o livro do Waldemar Costa (ed. Solis) talvez já mereça uma nova edição!

Deixe seu comentário