Grandes Enxadristas: Conheça a História de Aaron Nimzovitsch

Grandes Enxadristas: Conheça a História de Aaron Nimzovitsch

Alguns enxadristas ficaram marcados na história pela grande contribuição teórica que deram ao desenvolvimento do jogo. Aaron Nimzovitsch, sem dúvida,  encontra-se nessa lista seleta.

 

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Aaron Nimzovitsch

 

Biografia

Nascido em Riga (Letônia), em 1886, aprendeu a jogar muito cedo com o pai , mas só se dedicou ao xadrez a partir dos 18 anos. Em 1904, fugindo da Rússia czarista, mudou-se para Berlim onde estudou Filosofia. Nesse mesmo ano jogou seu primeiro torneio de xadrez. Foi para a Suécia durante a I Guerra Mundial. Depois se mudou para Copenhagen (Dinamarca) onde faleceu aos 48 anos, vítima de pneumonia.

 

Admirador de Steinitz

Grande pensador, Nimzovitsch refinou consideravelmente e ampliou os estudos de Steinitz, criando as bases de um bom número de ideias revolucionárias. A respeito do primeiro campeão mundial, Nimzovitsch declarou em um artigo: “Steinitz talvez tinha só um defeito: estava uns 50 anos à frente do seu tempo!”.

 

Crítico de Tarrasch

Por outro lado, o enxadrista questionava duramente os dogmas propostos por Tarrasch. Como, por exemplo, o exagerado valor dos peões centrais na abertura. E foi a partir disso que Nimzovitsch expressou sua opinião mais moderna: “Também é possível criar um centro forte com um bom jogo de peças. A ocupação central com peões pode ser substituída pela pressão de peças sobre o centro”.

Baseado nesses conceitos, Nimzowitsch criou sistemas novos de aberturas, como a Defesa Nimzoíndia e a Defesa Índia da Dama. Na visão de Kasparov, “os debates teóricos entre Nimzovitsch e Tarrasch ampliaram os limites do conhecimento enxadrístico, ainda que a história tenha mostrado que os conceitos de Nimzovitsch levaram vantagem em relação aos de Tarrasch. Foi uma vitória da flexibilidade, tanto que a Defesa Nimzoíndia é mais popular em relação à Defesa Tarrasch”.

 

Meu Sistema e a Prática do Meu Sistema

Em 1925 lançou o livro: “Meu Sistema” e em 1929 “A Prática do Meu Sistema”. Essas obras tornaram-se um manual impagável para muitas gerações de enxadristas. Petrosian, por exemplo, se formou com esses livros.

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Livros de Nimzovitsch estão marcados na história do xadrez

Nessas obras, Nimzovitsch explica conceitos profundos como: centro flexível, segurança da cadeia de peões, debilidade de casas de uma determinada cor, profilaxia, restrição, bloqueio.

 

Disputa pelo Campeonato Mundial

As ideias de Nimzovitsch eram mortais contra quase todos os oponentes, mas não contra os campeões mundiais. Seu desempenho foi penoso tanto contra Capablanca quanto contra Alekhine. O enxadrista não podia resistir à força mental destes lendários enxadristas que, intuitivamente ou não, entendiam melhor todas as suas “revelações posicionais”.

Na opinião de Kasparov: “Creio que Capablanca não pensava em formulações teóricas, mas na prática sabia tudo sobre tais conceitos. Já com Alekhine, enquanto Nimzovitsch tentava aproveitar uma debilidade, Alekhine dava xeque-mate!”.

De todo modo, entre 1925 e 1931, Nimzovitsch teve grandes atuações em torneios e estava entre os cinco melhores do mundo.  Ele mesmo se considerava um sério candidato ao título mundial e lançou desafios, que foram rejeitados, tanto a Capablanca quanto a Alekhine, porém, na opinião de Kasparov: “a verdade é que nunca esteve perto de ser campeão mundial”, fato que não diminui em nada a sua grande contribuição para o desenvolvimento do xadrez.

Os livros de Nimzovitsch fizeram parte da sua evolução como enxadrista? Conte sua história nos comentários.

 

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Texto escrito pelo MF William Ferreira da Cruz

Referências Bibliográficas:

Meus Grandes Predecessores, Garry Kasparov – Volume 1

Meu Sistema, Aaron Nimzovitsch

A Prática do Meu Sistema, Aaron Nimzovitsch

2 Respostas a “Grandes Enxadristas: Conheça a História de Aaron Nimzovitsch”

  • Robson

    Olá Mestre! É aconselhável hoje em dia estudar pelos ois livros do Ninzo? Caso não, qual livro você recomendaria para aprofundar bastante o xadrez? Principalmente temas posicionais?

    • Rafael Leitão

      Eu não sou muito fã do livro do Nimzo, prefiro o "Segredos da Moderna Estratégia", do John Watson.

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